sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Adriano Nunes: "Ai, contentamento, grã fugitivo!"

"Ai, contentamento, grã fugitivo!"



Repleto de esperanças, assim vivo
A cantá-lo, imenso amor, dia a dia,
Não pra espantar o que mais me entedia,
Para isso não preciso de motivo.

Em tudo imerso, agora, pensativo,
Meu coração, outrora o que o impedia
De dar-se à vez, jamais à covardia?
Ai, contentamento, grã fugitivo!

E, sobre meros rabiscos, algo finca-se e
Finda: esse amor há tanto carcomido
A que resiste? Qual íntimo impasse

Envolve-o, como se nada restasse?
Ó, quântico amor, grácil amor lido
Em cada verso meu, dure, não passe!

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