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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Pablo Neruda: "Soneto XXV" (tradução de Adriano Nunes)

"Soneto XXV" (tradução de Adriano Nunes)


Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e pelas coisas:
Nada contava e sequer tinha nome: 
O que há era do ar que esperava.
Eu conheci salões de tons cinzentos,
Os túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam sobre a areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tuas beleza e pobreza
De dádivas impregnaram o outono.


Pablo Neruda: "SONETO XXV"


Antes de amarte, amor, nada era mío:
vacilé por las calles y las cosas:
nada contaba ni tenía nombre:
el mundo era del aire que esperaba.
Yo conocí salones cenicientos,
túneles habitados por la luna,
hangares crueles que se despedían,
preguntas que insistían en la arena.
Todo estaba vacío, muerto y mudo,
caído, abandonado y decaído,
todo era inalienablemente ajeno,
todo era de los otros y de nadie,
hasta que tu belleza y tu pobreza
llenaron el otoño de regalos.

NERUDA, Pablo. Antología General. Lima: Real Academia Española, 2010, p. 344.

domingo, 8 de abril de 2018

Octavio Paz: "El mar, el mar y tú, plural espejo,"(tradução de Adriano Nunes)

"O mar, o mar e tu, plural espelho" (tradução de Adriano Nunes)


O mar, o mar e tu, plural espelho,
o mar de torso preguiçoso e lento
nadando pelo mar, do mar sedento:
o mar que morre e nasce em um reflexo.
O mar e tu, seu mar, o mar espelho:
rocha que escala o mar com passo lento,
pilar de sal que abate o mar sedento,
sede e vaivém e apenas um reflexo.
Do montante de instantes em que cresces,
do círculo das imagens do ano,
retenho um mês de espumas e de peixes,
e sob os cosmos líquidos de estanho
teu corpo que na luz abre baías
à escura ondulação de todos dias.


Octavio Paz: "El mar, el mar y tú, plural espejo,"


El mar, el mar y tú, plural espejo,
el mar de torso perezoso y lento
nadando por el mar, del mar sediento:
el mar que muere y nace en un reflejo.
El mar y tú, su mar, el mar espejo:
roca que escala el mar con paso lento,
pilar de sal que abate el mar sediento,
sed y vaivén y apenas un reflejo.
De la suma de instantes en que creces,
del círculo de imágenes del año,
retengo un mes de espumas y de peces,
y bajo cielos líquidos de estaño
tu cuerpo que en la luz abre bahías
al oscuro oleaje de los días.


PAZ, Octavio. El mejor de Octavio Paz: el fuego de cada día. Selección, prólogo y notas del autor. Barcelona: Editorial Seix Barral, 1989, pp. 11-12.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Paul Verlaine: "Arrietes Oubliées I" (tradução de Adriano Nunes)

"Breves árias olvidadas" (tradução de Adriano Nunes)

I

É êxtase langoroso,
É desalento amoroso,
É todo o tremor da mata,
Entre os abraços das brisas,
É, para tais grises galhos
O coral de vozes breves.

Ó murmúrio frágil, fresco!
Que murmureja e gorjeia,
Que recorda ao grito calmo
Que a erva agitada expira...
Dirias, sob a água que vira,
O surdo rolar dos seixos.

Esta alma que se queixa
Neste lamento dormente
É a nossa, não é mesmo?
A minha e a tua, atesta,
Donde humilde canção salta
Nesta noite ardente, baixa.

Paul Verlaine: "Arrietes Oubliées"

I

C'est l'extase langoureuse.
C'est la fatigue amoureuse,
C'est tous les frissons des bois
Parmi l'étreinte des brises,
C'est, vers les ramures grises,
Le chœur des petites voix.

Ô le frêle et frais murmure!
Cela gazouille et susurre,
Cela ressemble au cri doux
Que l'herbe agitée expire...
Tu dirais, sous l'eau qui vire.
Le roulis sourd des cailloux.

Cette âme qui se lamente
En cette plainte dormante
C'est la nôtre, n'est-ce pas?
La mienne, dis, et la tienne.
Dont s'exhale l'humble antienne
Par ce tiède soir, tout bas ?


VERLAINE, Paul. Oeuvres poétiques complètes. Sous la direction de Yves-Alain Favre. Paris: Bouquins, 2010.

Paul Verlaine: "La lune blanche…" (tradução de Adriano Nunes)

"O luar branco" (tradução de Adriano Nunes)

O luar branco
Brilha nas matas;
De cada ramo
Uma voz parte
Sob a ramagem....
Ó bem-amada.


O lago espelha,
Profundo espelho,
A silhueta
Do salso negro
Onde o ar chora...

Sonhem, é hora.

Um vasto e leve
Relaxamento
Descer parece
Do firmamento
Que o astro cora...

Que estranha hora.

Paul Verlaine: "La lune blanche…"

La lune blanche
Luit dans les bois ;
De chaque branche
Part une voix
Sous la ramée…
Ô bien-aimée.

L’étang reflète,
Profond miroir,
La silhouette
Du saule noir
Où le vent pleure…

Rêvons, c’est l’heure.

Un vaste et tendre
Apaisement
Semble descendre
Du firmament
Que l’astre irise…

C’est l’heure exquise.



VERLAINE, Paul. "La Bonne Chanson".In:_____. Oeuvres poétiques complètes. Sous la direction de Yves-Alain Favre. Paris: Bouquins, 2010.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Antonio Machado: "A Juan Ramón Jiménez" (tradução de Adriano Nunes)

"A Juan Ramón Jiménez" (tradução de Adriano Nunes)

Por seu livro Árias Tristes

Era uma noite do mês
de maio, azul e serena.
Sobre o agudo cipres-
te brilhava a lua plena,
iluminando a fonte
de onde a água saía
soluçando intermitente.
Somente a fonte se ouvia.
Depois, se escutou o acento
de um rouxinol cantador.
Quebrou a raia de vento
a curva do provedor.
E uma doce melodia
vagou por todo o jardim:
entre as murtas conduzia
um músico o bandolim.
Era um acorde lamento
de juventude e de amor
para a alta lua e o vento,
a água e o rouxinol cantor.
"O jardim tem uma fonte
e tal fonte uma quimera...".
Cantava uma voz pungente,
âmago da primavera.
Foi-se a voz e o bandolim
apagou a melodia.
Ficou a melancolia
vagando pelo jardim.
Somente a fonte se ouvia.


Antonio Machado: "A Juan Ramón Jiménez"


Era una noche del mes
de mayo, azul y serena.
Sobre el agudo ciprés
brillaba la luna llena,
iluminando la fuente
en donde el agua surtía
sollozando intermitente.
Sólo la fuente se oía.
Después, se escuchó el acento
de un oculto ruiseñor.
Quebró una racha de viento
la curva del surtidor.
Y una dulce melodía
vagó por todo el jardín:
entre los mirtos tañía
un músico su violín.
Era un acorde lamento
de juventud y de amor
para la luna y el viento,
el agua y el ruiseñor.
«El jardín tiene una fuente
y la fuente una quimera...»
Cantaba una voz doliente,
alma de la primavera.
Calló la voz y el violín
apagó su melodía.
Quedó la melancolía
vagando por el jardín.
Sólo la fuente se oía.

MACHADO, Antonio. Poesías completas. Edición de Manuel Alvar. Guía de lectura de Maria Pilar Celma. Barcelona: Austral/Espasa Libros, 2017, pp. 258-259.

Antonio Machado: "Arte poética" (tradução de Adriano Nunes)

"Arte poética" (tradução de Adriano Nunes)


E em toda a alma há solitária festa,
tu saberás: Amor, sombra florida,
sonho de aroma, e logo... nada: trapos,
rancor, filosofia.
Roto em teu espelho teu melhor idílio,
e já virado o dorso para a vida,
há de ser tua oração da manhã:
Ó, pra ser enforcado, lindo dia!


Antonio Machado: "Arte poética"

Y en toda el alma hay una sola fiesta
tú lo sabrás, Amor sombra florida,
sueño de aroma, y luego… nada; andrajos,
rencor, filosofía.
Roto en tu espejo tu mejor idilio,
Y vuelto ya de espaldas a la vida,
Ha de ser tu oración de la mañana:
¡Oh, para ser ahorcado, hermoso día!


MACHADO, Antonio. Poesías completas. Edición de Manuel Alvar. Guía de lectura de Maria Pilar Celma. Barcelona: Austral/Espasa Libros, 2017, p. 395.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Langston Hughes: “I, too” (tradução de Adriano Nunes)

“Eu, também” (tradução de Adriano Nunes)

Eu, também, canto a América.
Eu sou o irmão mais escuro.
Eles me mandam comer na cozinha
Quando a companhia vem,
Mas sorrio,
E como bem,
E cresço forte.
Amanhã,
Estarei à mesa
Quando a companhia vier.
Ninguém ousará
Dizer-me:
“Coma na cozinha,”
Então.
Além disso,
Eles verão como sou belo
E vergonha terão-
Eu, também, sou a América.

Langston Hughes: “I, too”

I, too, sing America.
I am the darker brother.
They send me to eat in the kitchen
When company comes,
But I laugh,
And eat well,
And grow strong.
Tomorrow,
I'll be at the table
When company comes.
Nobody'll dare
Say to me,
"Eat in the kitchen,"
Then.
Besides,
They'll see how beautiful I am
And be ashamed—
I, too, am America.


From The Collected Poems of Langston Hughes, published by Knopf and Vintage Books. Copyright © 1994 by the Estate of Langston Hughes.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Ella Wheeler Wilcox: “The year” (tradução de Adriano Nunes)

“O ano” (tradução de Adriano Nunes)


Que pode ser dito em rimas de Ano Novo,
Que miríade de vezes não seja exposto?
Os anos novos vêm, esvão-se os velhos anos,
Sabemos dos sonhos, os saberes sonhamos.
Despertamos com sorrisos com o clarão,
Repousamos aos prantos com a escuridão.
Abraçamos o mundo até que ele arda,
Praguejamo-no então e almejamos por asas.
Vivemos, amamos, cortejamos, casamos,
Cingimos as noivas, os mortos enterramos.
Rimos, choramos, esperamos, receamos,
E isto é o fardo do ano.

Ella Wheeler Wilcox: “The year”

What can be said in New Year rhymes,
That's not been said a thousand times?
The new years come, the old years go,
We know we dream, we dream we know.
We rise up laughing with the light,
We lie down weeping with the night.
We hug the world until it stings,
We curse it then and sigh for wings.
We live, we love, we woo, we wed,
We wreathe our brides, we sheet our dead.
We laugh, we weep, we hope, we fear,
And that's the burden of the year.

WILCOX, Ella Wheeler. Collected poems. London: L.B. Hill, 1924.

Este poema pode ser lido no site: https://m.poets.org/poetsorg/poem/year. Acesso 01/01/2018.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

William Blake: "The Smile" (Tradução de Adriano Nunes)

"O Sorriso" (Tradução de Adriano Nunes)

Há um Sorriso de Amor
Há um Sorriso de Engano
Há um Sorrir de Sorrisos
No qual se amalgamam ambos
E há um Esgar de Ódio
E um Esgar há de Desdém
E há um Esgar de Esgares
Que em vão tentas esquecer
Pois no Ictus Cordis finca-se
Fundo na Espinha Dorsal
E Sorriso sem ter sido
Mas Sorriso só somente
Que entre o Berço e o Jazigo
Vez só Sorrir pode ser
Mas quando Sorriso é
Finda as Misérias até

William Blake: "The Smile"

There is a Smile of Love
And there is a Smile of Deceit
And there is a Smile of Smiles
In which these two Smiles meet
And there is a Frown of Hate
And there is a Frown of Disdain
And there is a Frown of Frowns
Which you strive to forget in vain
For it sticks in the Hearts deep Core
And it sticks in the deep Back Bone
And no Smile that ever was Smild
But only one Smile alone
That betwixt the Cradle & Grave
It only once Smild can be
But when it once is Smild
Theres an end to all Misery

BLAKE, William. "The Smile". In:______. Poetry Foundation. Acesso em 28/11/2017.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Alexander Posey: "Autumn" (tradução de Adriano Nunes)

"Outono" (tradução de Adriano Nunes)

No sonhador silêncio
Da tarde, uma
Veste áurea é tecida
Sobre o prado e a mata;
E o pássaro, há pouco
Caído do cosmo,
Acenos cordiais espalha,
E o ar é preenchido com
Folhas rubras, que, caindo,
Erguem-se de novo, como sempre,
Com um suspiro inútil para
Repousar - e é Outono.

Alexander Posey: "Autumn"

In the dreamy silence
Of the afternoon, a
Cloth of gold is woven
Over wood and prairie;
And the jaybird, newly
Fallen from the heaven,
Scatters cordial greetings,
And the air is filled with
Scarlet leaves, that, dropping,
Rise again, as ever,
With a useless sigh for
Rest—and it is Autumn.

POSEY, Alexander. "Autumn". In:_____. The Poems of Alexander Lawrence Posey (Crane & Co., 1910). This poem is in the public domain.

sábado, 28 de outubro de 2017

Hart Crane: "October- November" (tradução de Adriano Nunes)

"Outubro-Novembro" (tradução de Adriano Nunes)


Sol de verão indiano
Com plumas rubras que chicoteia a bruma, -
Afunda-se através do filtro de treliças
E doura a prata nos assentos sujos.
Agora ouro e púrpura fulguram
Nas árvores que parecem dançar
Em delírio;
Então a lua
Em uma louca laranja labareda
Inunda a noite de penduradas uvas.


Hart Crane: "October- November"


Indian-summer-sun
With crimson feathers whips away the mists,—
Dives through the filter of trellises
And gilds the silver on the blotched arbor-seats.
Now gold and purple scintillate
On trees that seem dancing
In delirium;
Then the moon
In a mad orange flare
Floods the grape-hung night.


CRANE, Hart. "October-November". In:_____.Academy of American Poets. URL: https://www.poets.org/poetsorg/poem/october-november. Acesso em 28 de outubro de 2017.

sábado, 21 de outubro de 2017

Richard Wilbur: "The House" (Tradução de Adriano Nunes)

Poema de Richard Wilbur (vencedor de 2 Prêmios Pulitzer em poesia: em 1957 e em 1989. Falecera este mês, no dia 14, aos 96 anos) traduzido por mim:

"A casa" (Tradução de Adriano Nunes)

Às vezes, ao acordar, os olhos fecharia
Pr' última olhada à casa branca qu' ela viu
No sono sozinha, e que título não possuía
E não tinha ainda entrada, pra seus cicios.

O qu' ela me disse daquela casa dela?
Portão branco; terraço; basculante à porta;
Andar de viúva acima da costa pétrea;
Ventos de sal que irritam abetos à volta.

Agor' ela está lá, onde quer que ser possa?
Somente um homem tolo esperaria achar
Tal paraíso feito por sua mente utópica.
Noite após noite, meu amor, eu pus o mar.


Richard Wilbur: "The House"


Sometimes, on waking, she would close her eyes
For a last look at that white house she knew
In sleep alone, and held no title to,
And had not entered yet, for all her sighs.

What did she tell me of that house of hers?
White gatepost; terrace; fanlight of the door;
A widow’s walk above the bouldered shore;
Salt winds that ruffle the surrounding firs.

Is she now there, wherever there may be?
Only a foolish man would hope to find
That haven fashioned by her dreaming mind.
Night after night, my love, I put to sea.

*From Anterooms: New Poems and Translation by Richard Wilbur. Copyright © 2010 by Richard Wilbur. Houghton Mifflin Harcourt Publishing Company. Disponível em: https://www.poets.org/poetsorg/poem/house.


terça-feira, 26 de setembro de 2017

T. S. Eliot: "Song" (tradução de Adriano Nunes)


"Canção" (tradução de Adriano Nunes)


Se espaço e tempo, dizem os cultos,
São coisas que não podem ser,
A mosca que vive um dia único
Viveu o que podemos viver.
Então vivamos enquanto é justo,
E livres são o amar e o viver,
Pois o tempo é tempo e segue o rumo,
Embora discordem a valer.
As flores enviei-te quando o orvalho
Estava trêmulo na videira,
Úmidas antes do voo da abelha
Para sugar o roseiral bravo.
De novo, rápido, vamos colhê-las
Sequer lamentemos pinho vê-las,
E embora as flores do amor poucas sejam
No entanto, que elas divinas sejam


T. S. Eliot: "Song"

If space and time, as sages say,
Are things which cannot be,
The fly that lives a single day
Has lived as long as we.
But let us live while yet we may,
While love and life are free,
For time is time, and runs away,
Though sages disagree.
The flowers I sent thee when the dew
Was trembling on the vine,
Were withered ere the wild bee flew
To suck the eglantine.
But let us haste to pluck anew
Nor mourn to see them pine,
And though the flowers of love be few
Yet let them be divine.


ELIOT, T.S. The complete poems and plays. 1909-1950. San Diego: Harcourt, Brance Jovanovich, 1971.

domingo, 24 de setembro de 2017

William Carlos Williams: "Portent" (tradução de Adriano Nunes)

"Portento" (tradução de Adriano Nunes)


Rubro berço da noite,
Em ti
O sombrio bebê
Dorme logo até que
Seu poder tenha fim
Tendão por tendão.

Rubro berço da noite,
O sombrio bebê
Dormindo fica em pé.
Ó como
Os ventos sopram agora!
Ele retorna,
Os ventos suaves já são.

Quando os braços estende,
Rubro berço da noite,
Berram os alarmes
Da árvore nua à árvore,
Selvagens
De repente!
Forças irá ter,
Rubro berço da noite,
O sombrio bebê.


William Carlos Williams: "Portent"


Red cradle of the night,
In you
The dusky child
Sleeps fast till his might
Shall be piled
Sinew on sinew.

Red cradle of the night,
The dusky child
Sleeping sits upright.
Lo how
The winds blow now!
He pillows back;
The winds are again mild.

When he stretches his arms out,
Red cradle of the night,
The alarms shout
From bare tree to tree,
Wild
In afright!
Mighty shall he be,
Red cradle of the night,
The dusky child!!

WILLIAMS, William Carlos. "Portent". In:_____. "The Tempers". In:____. The collected poems of William Carlos Williams. Vol. I. Edited by Walton Litz & Christopher MacGowan. New York: New Directions, 2001, p. 10.

domingo, 9 de julho de 2017

Stephen Crane: "In the Desert" (Tradução de Adriano Nunes)

"No deserto" (tradução de Adriano Nunes)


No deserto
Eu vi uma criatura, nua, bestial,
Que, agachando-se, 
Segurou seu coração,
E dele comeu.
Indaguei: "É bom, amigo?"
"É amargo - amargo", respondeu;
"Mas eu gosto
"Porque é amargo,
"E porque é o meu"

Stephen Crane: "In the Desert"

In the desert
I saw a creature, naked, bestial,
Who, squatting upon the ground,
Held his heart in his hands,
And ate of it.
I said, “Is it good, friend?”
“It is bitter—bitter,” he answered;
“But I like it
“Because it is bitter,
“And because it is my heart.”


CRANE, Stephen. "In the desert". In:_____. https://m.poets.org/poetsorg/poem/desert. Acesso 08/07/2017.

sábado, 8 de julho de 2017

Οδυσσέας Ελύτης «Περασμένα Μεσάνυχτα» (tradução de Adriano Nunes)

"Passada a meia-noite" (tradução de Adriano Nunes)

Passada a meia-noite em minha vida inteira
Como numa Via-Láctea rasante pesa a minha cabeça
Todos dormem com a face prateada, santos
Vazios de paixões são arrastados pelo vento
Até o cabo do Grã Cisne. Quem foi feliz e quem não e depois?
Todos findamos símile deixando enfim
Uma saliva amarga e gravados na face sem barbear
Caracteres gregos que tratam de ajustar-se um ao outro para que
A palavra de tua vida a única se...
Passada a meia-noite em minha vida inteira
Passam carros de bombeiros, até que incêndios
Ninguém sabe. Num quarto de quatro por cinco o fumo se condensou. 

Apenas se distinguem
A folha de papel e minha máquina de escrever. Deus
Golpeia as chaves e as incontáveis penas chegam até o teto
Perto da aurora
aparecem por um momento as costas e sobre
Elas verticalmente as montanhas são escuras e púrpuras.
Realmente parece que
Vivo para quando já não mais exista
Passada a meia-noite em minha vida inteira
Todos dormem sobre um de seus flancos, aberto
O outro para ver erguer-se a vida onda
Após onda e tua mão se estende
Como a de um morto no instante em que o apanha
a primeira verdade.


Οδυσσέας Ελύτης «Περασμένα Μεσάνυχτα»

Περασμένα μεσάνυχτα σ’ όλη μου τη ζωή
Σαν σε χαμηλωμένο Γαλαξία το κεφάλι μου βαρύ
Κοιμούνται οι άνθρωποι με τ’ ασημένιο πρόσωπο· άγιοι
Που άδειασαν από τα πάθη κι ολοένα τους φυσάει ο αέρας μακριά
Στον κάβο του Μεγάλου Κύκνου. Ποιος ευτύχησε, ποιος όχι
Και ύστερα;
Ίσα τερματίζουμε όλοι στερνά μένουν
Ένα σάλιο πικρό και στο αξύριστό σου πρόσωπο
Χαραγμένα ψηφία ελληνικά που το ένα στο άλλο ν' αρμοστούν
αγωνίζονται ώστε
Η λέξη της ζωής σου η μία εάν...
Περασμένα μεσάνυχτα σ’ όλη μου τη ζωή
Περνάν τα οχήματα της Πυροσβεστικής, για ποιαν από
τις πυρκαγιές
Κανείς δεν ξέρει. Σ’ ένα δωμάτιο τέσσερα επί πέντε ντουμάνιασε
ο καπνός. Προεξέχουν μόνον
Η κόλλα το χαρτί και η γραφομηχανή μου. Πλήκτρα
Χτυπά ο Θεός και αμέτρητα είναι τα βάσανα έως το ταβάνι
Κοντά να ξημερώσει
μια στιγμή φανερώνονται οι αχτές με κάθετα
Πάνω τους τα βουνά σκούρα και μωβ. Αλήθεια θα ‘ναι φαίνεται ότι
Ζω για τότε που δεν θα υπάρχω
Περασμένα μεσάνυχτα σ’ όλη μου τη ζωή
Κοιμούνται οι άνθρωποι στο ‘να τους πλευρό, τ’ άλλο τους
Ανοιχτό να βλέπεις που ανεβαίνει κύματα
Κύματα η ζωή και να ‘ναι τεντωμένο το χέρι σου
Σαν του νεκρού τη στιγμή που του παίρνεται η πρώτη αλήθεια.
Οδυσσέας Ελύτης. "Περασμένα Μεσάνυχτα". In:_____. http://odysseas-elitis.weebly.com/904xiiota-kappaalphaiota-….

domingo, 25 de junho de 2017

Elinor Wylie: "Beauty" (tradução de Adriano Nunes)

Elinor Wylie: "Beleza" (tradução de Adriano Nunes)


Não afirmes da beleza que ela
Seja qualquer coisa além de bela,
Ou às asas de madeira das pombas suave
As suas asas selvagens de ave


Não a chames cruel; o toque dessa palavra
Consume-a como uma praga;
Mas não a ame de maneira infinda,
Pois isso é pior ainda.

Ó, ela não é má ou boazinha,
Mas inocente e selvagem!
Exalte-a e ela morre, quem tinha
O pétreo peito de um jovem.

Elinor Wylie: "Beauty"

Say not of Beauty she is good,
Or aught but beautiful,
Or sleek to doves’ wings of the wood
Her wild wings of a gull.

Call her not wicked; that word’s touch
Consumes her like a curse;
But love her not too much, too much,
For that is even worse.

O, she is neither good nor bad,
But innocent and wild!
Enshrine her and she dies, who had
The hard heart of a child.


WILYE, Elinor. Collected Poems of Elinor Wilye. New York: Alfred A. Knopf, 1932.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Marianne Moore: "Under a Patched Sail" (tradução de Adriano Nunes)

"Sob uma vela remendada" (Tradução de Adriano Nunes)


"Oh, beberemos novamente
Quando costeiro está o vento"
Da velha jarra beberemos,
E ao porto então,
Para o tempo vingar pequeno.
Vem rapaz - aos dias que são!


Marianne Moore: "Under a Patched Sail" 


“Oh, we’ll drink once more
when the wind’s off shore,”
We’ll drink from the good old jar,
And then to port,
For the time grows short.
Come lad—to the days that are!



MOORE, Marianne. Complete Poems. New York: Penguin, 1994.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Jaime Sabines: "No quiero paz" (Tradução de Adriano Nunes)

"Não quero paz" (tradução de Adriano Nunes)

Não quero paz, não há paz,
quero minha solidão.
Quero meu coração desnudo
para atirá-lo à rua,
quero fincar-me surdo-mudo.
Que ninguém me visite,
Que eu não veja ninguém,
E que se há alguém, como eu, com asco,
que o trague.
Quero minha solidão,
não quero paz, não há paz.

Jaime Sabines: "No quiero paz"

No quiero paz, no hay paz,
 quiero mi soledad.
 Quiero mi corazón desnudo
 para tirarlo a la calle,
 quiero quedarme sordomudo.
 Que nadie me visite,
 que yo no mire a nadie,
 y que si hay alguien, como yo, con asco,
 que se lo trague.
 Quiero mi soledad,
 no quiero paz, no hay paz.


SABINES, Jaime. "No quiero paz". In:_____."La señal". In:_____. Horal/La señal. México, D.F.: Joaquín Mortiz, 2013.

sábado, 22 de abril de 2017

William Carlos Williams: "The Fool’s Song" (tradução de Adriano Nunes)

"A canção do tolo" (tradução de Adriano Nunes)
William Carlos Williams, 1883 - 1963

Eu tentei pôr um pássaro numa gaiola.
Ó tolo que sou!
O pássaro era a Verdade.
Canta alegremente, Verdade: tentei pôr
A Verdade numa gaiola!

E quando tinha o pássaro na gaiola,
Ó tolo que sou!
Ora, quebrou a minha grácil gaiola.
Canta alegremente, Verdade: tentei pôr
A Verdade numa gaiola!
E quando o pássaro fugiu da gaiola,
Ó tolo que sou!
Ora, não tinha pássaro nem gaiola.
Canta alegremente, Verdade: tentei pôr
A Verdade numa gaiola!
Que dor! A Verdade numa gaiola.

The Fool’s Song
William Carlos Williams, 1883 - 1963

I tried to put a bird in a cage.
O fool that I am!
For the bird was Truth.
Sing merrily, Truth: I tried to put
Truth in a cage!
And when I had the bird in the cage,
O fool that I am!
Why, it broke my pretty cage.
Sing merrily, Truth: I tried to put
Truth in a cage!
And when the bird was flown from the cage,
O fool that I am!
Why, I had nor bird nor cage.
Sing merrily, Truth: I tried to put
Truth in a cage!
Heigh-ho! Truth in a cage.

WILLIAMS, William Carlos. The collected poems of William Carlos Williams. Vol. I - 1909-1939. Editef by A. Walton Litz & Christopher MacGowan. New York: New Directions Books, 2001, pp. 5-6.