quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Adriano Nunes: "A memória pétrea, inconfessa"

"A memória pétrea, inconfessa"


Dos frágeis fósseis do amor, resta
A memória pétrea, inconfessa.
Sequer o pó de uma promessa
Sub-reptícia a enrugar a testa.

Era madrugada, tal esta
Em que nada mais me interessa,
Em que cada instante depressa
Passa e à vida esse vácuo empresta.

Era manter a porta aberta
E ver onde o sonho começa,
Desvendando o quebra-cabeça,

Em silêncio, peça por peça.
Ai, de estranho torpor desperta
O meu peito e mantém-se alerta!

Um comentário:

Carlos Souza disse...

Lindo poema! Muito bom encontrá-lo e lê-lo, e ouvi-lo. Parabéns!