terça-feira, 17 de outubro de 2017

Adriano Nunes: “Que basta?”

“Que basta?”

Só neste
Lugar
Sacana,
Capenga,
Careta,
Carente
De gente
Pra frente,
Nascer
Já pobre
Ou preto
Ou fora
Do fixo
Padrão
Dos brancos
Da elite,
Só neste
País
De brutos
Bacanas
Babacas,
Que beira
À farsa,
Em que a
Miséria
Impera
Em riste,
Que cheira à
Desgraça,
Sem ter
Ouvida a
Palavra

- É mesmo
Não ter
Direito
A nada! -

Que fede
À bala
Perdida,
À escola
Fechada,
À fraude
Fiscal,
A igrejas-
Empresas,
A escândalos
De sul
A norte,
Que fez
Um pacto
Co’a morte,
Co’a lei
Dos que
São fortes,
Mais fortes,
Ser gay,
Ser gótico,
Ser puta,
Ser punk,
Ser por
Ser o
Que se
Quer ser,
É mesmo
Ser nada.
Ó, quando
Diremos
Que basta?

Adriano Nunes: "Ciranda nefasta"

“Ciranda nefasta”


A cultura da superficialidade festejada,
A burrice crônica aplaudida,
O jeitinho brasileiro como didática,
A preguiça elástica condecorada,
Os discursos sofismáticos premiados,
A pós-verdade que não diz nada bajulada,
Os políticos vitalícios e seus lesivos conchavos,
Os corruptos homenageados nas praças com estátuas,
Os egos superinflados comissionados,
A inveja prêt-à-porter admirada,
As ideologias cegas implantadas na alma,
A moral moralizadora imposta à crença ou à bala,
Os pastores midiáticos milionários,
Os hipócritas com pedigree venerados,
Os séquitos de imbecis proliferados,
A todo momento, por todos os lados,
Ó, povo cordeiro,
Ó, massa prendada,
Ó, povo solícito,
Ó, massa alienada,
Ó, povo que a tudo se dobra!
Sonhar é fácil!
Sonhar é de graça!
Para que essas algemas?
Para que esses cabrestos?
Para que essas bitolas?

Adriano Nunes: "Ou nada"

“Ou nada”

De beijo
A beijo,
A boca
Já busca
O vinho
De Baco,

E, abaixo,
A bunda
Desnuda
Do broto
E, fundo
Na carne,

Aquela
Mordida
Ardente
Engendra,
Dá, sem
Pudor,

Sem ter
Receio
De mácula
Ou mágoa.
Agora
Só falam

Que o amor,
Ou o que
Sobrou,
Caminha
Na corda
Elástica

Do tudo
Ou nada.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Adriano Nunes: "Poesia" - para André Vallias (por seu aniversário)

"Poesia" - para André Vallias (por seu aniversário)

Eis o que
Quer a
Poesia, além 
Do fato de
Ser poesia

(Ela nem
Sempre vem
Como a gente
Arquiteta e
Gostaria!)

Apenas:
Ter a alegria
Irreverente
Das ironias e das
Paráfrases

Engendradas,
Pra tudo ou nada,
Pelo André
Valias, não é
Mesmo, Poesia?

Adriano Nunes: "Ideias"

"Ideias"


Se em sua mente
Uma ideia fez-se,
Casualmente, 
Semente
Somente,
E a razão
Conta dela dera
Criticamente,
Ainda bem!
Poderia ser
Bem diferente.

Poderia ser uma
Ideia que se fizesse
Potente
E quisesse
Inibir qualquer outra
Ideia, como se
Ela fosse
A gênese
- Ou o chefe
Da mente -
E gerasse ideias
Totalitárias sempre.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Adriano Nunes: "Contra a censura"

"CONTRA A CENSURA"


LIBERDADEFULGURA
LIBERDADEFULGURD
LIBERDADEFULGUDI
LIBERDADEFULGDIG
LIBERDADEFULDIGA
LIBERDADEFUDIGAM
LIBERDADEFDIGAMN
LIBERDADEDIGAMNÃ
LIBERDADDIGAMNÃO
LIBERDADIGAMNÃOÀ
LIBERDDIGAMNÃOÀC
LIBERDIGAMNÃOÀCE
LIBEDIGAMNÃOÀCEN
LIBDIGAMNÃOÀCENS
LIDIGAMNÃOÀCENSU
LDIGAMNÃOÀCENSUR
DIGAMNÃOÀCENSURA

sábado, 7 de outubro de 2017

Adriano Nunes: “Ylyalim”

“Ylyalim”


Nada foi fácil - repete pra si
O velho Ylyalim, enquanto brinca
Com algumas pedrinhas, ante a bica,
Aquela mesma bica de marfim
E medos, de esmeraldas, onde Sísifo
Banhava-se nu, antes do castigo
Infindo. Por que brinca, só, ainda
O velho Ylyalim, enquanto a vida
De tudo parece dar-se a um porvir
Sem portentos, como se um cruel crime
Estivesse pra cometer, no mínimo?
Nada é fácil - diz o velho feliz.
Há muito está só, lúcido e até livre
De suas grãs astúcias e tolices.
Livre, brincando com as pedrinhas
Ante a bica de pedras e marfim,
Sem lamentar coisa alguma, nem isso
Que lhe furta os pensamentos - Aqui -
Diz para a água que escorrega fria
Entre os dedos enrugados, feridos -
A tocar-te estou, líquido destino!
Segues sem mim e assim símile sigo!
Agora brinco com as pedras, vivo!
Agora brincas, com arte, comigo.
Para quê? Não me digas! Não me digas!
Nada foi fácil! - repete pra si
O velho Ylyalim, enquanto ri
Do acaso que arquitetara o devir.