sábado, 16 de dezembro de 2017

Adriano Nunes: "Os corpos todos" - para Alberto Lins Caldas

"Os corpos todos" - para Alberto Lins Caldas


Os arredores
De Troia. As chamas.
O horror se vale
Do que aqui pode.
Os corpos todos
Mortos e quase,
Pela memória.
Sangue, suores,
Seiva de ódio e
Do que se clama
Por amor e
Erro, o que morre,
O que já mata.
Ainda há
Um barco intacto.
Se o pegaremos,
Não sei. Sem norte,
Estamos mesmo.
E temos medo
Do que mais somos.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Adriano Nunes: "Das saídas"

"Das saídas"

Pode ser
Beco, fresta
- Nada é muito! -
Pode ser
Porta aberta,
- Eis o rumo! -
Pode ser
De emergência,
- Somos únicos!
Pode ser
Pelo ser
- Eis o mundo! -
Pode ser
Pelo verso
- Não é tudo? -
Pode ser
Até mesmo
- Pelos fundos? -
Pelo jeito
Pode ser...
- Nós dois juntos! -

Adriano Nunes: "Saudade"

“Saudade”


Saudade
Dos braços,


- tão rápidos! -

Saudade
Das pernas,

- Elétricas! -

Dos lábios
Que eram

- Que faço? -

Mais que
Dois lábios

- Que festa! -

- Prazer -
Pois laços

- Desfaço-os? -

Que eram
Quimeras

- Que impacto! -

Fixavam
A vida

- A estética? -

Em um
Desejo:

- O acaso? - 
Seus beijos

- Quem dera! -

Só ter.
Seus toques!

- Que máximo! -

Pra que
Fui dar

- Na vera! -

A volta
Por cima

- Não era? -

Do que
Ainda

- É claro! -

Clamava
Por lógica,

- Qual meta -

Só por
Você?

sábado, 9 de dezembro de 2017

Adriano Nunes: "Abraço"

“Abraço”

Elo
Entre o
Olho e
Eros

Sol
Do
Peito
Perto

Certo
É
Que
Quero-o

Átimo
Entre
Laço e
Sexo

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Adriano Nunes: "Outdoor"

"Outdoor"


Quando você veio,
- Não sei bem se era
Março ou fevereiro -
Tão pouco me disse.

Não disse a que veio,
- Ah, não disse mesmo! -
Não disse goodbye
E partiu ligeiro...

Acertou-me em cheio,
Tirou minha paz.
Por que, enfim, me disse
Que me amava mais?

Quando você veio,
Estava uma fera
Sem rédeas, sem freios,
Reconheço! Triste

Estava, sem meios
De nada, já preso
A ideias banais...
Aí você veio!

Adriano Nunes: “A linguagem do amor”

“A linguagem do amor”


A linguagem do amor
É o silêncio - dizem os
Que temem falar sobre
Os sentimentos e os

Que já vítimas foram
Dos seus dolentes jogos.
Outros - e não são poucos! -
Porém, dizem que só

Dizendo muito do amor
É que, a priori, se pode
Entendê-lo melhor.
Há aqueles que, por

Medo ou timidez, logo
Que percebem o modo
De atuar do amor, põem
De lado a fala: os olhos

Usam como propósito.
Porque parece óbvio
Que do amar é ignoto
O sol. Outros dão voto

Para algo como a sorte:
A língua do amor move-se
Sem gramática ou norte.
Uma vez pensei - tolo

No todo - que era o amor
Que ditava do corpo
À alma, todo o escopo
Da linguagem, rei solto

De regras, pouco a pouco.
Que equívoco! O amor foge
Das palavras, dos nomes,
Para fincar-se forte

No coração dos homens.
Todo lugar é onde.
Todo tempo é corte.
Toda voz o consome.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Adriano Nunes: "In totum" - para o amigo Richard Fonseca (por seu dia)

"In totum" - para o amigo Richard Fonseca (por seu dia)

Se entre
O nada
E o tudo
Há o
Caos múltiplo,

Se entre
O vácuo
Dinâmico
Do mundo
E os deuses

Ignotos,
Já surdos
E mudos,
Há algo
Profundo,

Talvez,
Quem sabe,
Qualquer
Vontade
Ou rumo.

Talvez,
Da idade
O risco
Abrupto,
O sumo.