quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Paulo Sabino: "conforto na morada"

Paulo Sabino, um poeta em ebulição: Sou um leitor rigoroso. Aprendi, com o passar do tempo, a ser rigoroso com o que aprecio e gosto. Assim, procedo com tudo em minha vida, principalmente, quando o assunto é Arte, poesia, amizade. Vez ou outra, deparo-me com pedras preciosas (pessoas e poemas) nesse mundo quase sem fim que é a blogosfera... E como fico feliz e como me resgato de toda dor que tenta imperar no mundo, nessa realidade, nesse caos ultra/transmoderno. A poesia de Paulo Sabino, nosso Paulinho, é decantada... Traz à vida (do Rio, de sua casa, de sua família, de suas leituras, do seu eu) um timbre próprio, com jogos de imagens e sons não previsíveis... Descanso... Sossego... E tudo ferve, borbulha, arde... E nos conforta!
Paulo Sabino: "conforto na morada"




uma vista que me é comum:
em minha cadeira sentado
no quarto que ocupo
e ela, deitada em seu sofá
confortavelmente
atenta
— olhos suspensos no ar —
à música
que ventava em seus sentidos.

no meu canto
vendo-a
de canto
denso do canto que me vinha.

uma vista que me é comum
— posto que
ocupa a minha vida:
música-mãe
, na morada ,
pura poesia
decantada.





Poema postado no belo blog Prosa em Poema (
http://prosaempoema.wordpress.com/), do autor, em 05 de outubro de 2009 e gentilmente cedido para esta publicação.





ADRIANO NUNES: "Para mim"

"Para mim"



Para mim
Todo verso
É disperso
É sem fim

Toda vida
É pensada
É sentida
Tudo-nada

É que assim
O momento
Re(invento)
Para mim!




quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ADRIANO NUNES: "Sem saber o que ainda resta"

"Sem saber o que ainda resta"




Sem essa de nova promessa,
De viver à beça, sem pressa,
Sem saber o que ainda resta
À flor da pele, pela fresta

Do desejo, por um só beijo,
(Noutros sonhos é que me vejo)
Talvez tudo mesmo. (Se some
De vez do meu verso teu nome)

Assim sempre se desvencilha
De ti meu vulto. Triste trilha
Percorro, fugindo de mim,
Desse gostar que não tem fim.


Para evitar o tédio, canto,
Toda madrugada, meu pranto!









terça-feira, 17 de novembro de 2009

ADRIANO NUNES: "Canção V" - Para a minha mãe.

"Canção V" - Para a minha mãe.




Vale a pena amar
O estranho, o vizinho,
O broto sozinho,
Surfista no mar,

O gringo, a garota
De programa, o gato
Lá no teto, o salto
Da vida mais solta

Do travesti, tudo
Do coração, verso
Agora disperso,
Surdo, cego, mudo,

Novo, velho, feio,
Belo, breve, eterno,
O flerte fraterno,
O devir que veio,

A palavra, o gesto,
O respeito à gente
Igual, diferente.
Ao poema empresto

Toda a liberdade
Negra, branca, rosa,
Grande, gloriosa,
Digna de verdade,

Mais que qualquer lei,
Qualquer regra, um laço
Magistral, um traço
Sobre-humano, sei.




segunda-feira, 16 de novembro de 2009

ADRIANO NUNES: "Amo-te"

"Amo-te"



Amo-te.
Cansei da lei
Do silêncio,
Do tempo
Que passa em vão.
Nova chance
Dei ao meu coração.

Tudo de que preciso
Vejo em ti.
Não só abraços
Pensados,
Não só beijos
Sonhados,
Posições, toques,
Carinhos, jogos
De sedução,

Palavras,
Poemas, canções.
Amar é mais
Que viver
Apenas -
Dádiva suprema,
Sorriso à-toa,
Espontaneidade
À flor da pele -

Amo-te.
Perdi o medo
De pôr a alegria
Em meu peito.
Bom é estar
Contigo...
Em equilíbrio
Pleno!




quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ADRIANO NUNES: "Tarde intensa" - Para a minha mãe.

"Tarde intensa" - Para a minha mãe.



Tarda a noite
A cair.
Que fazer
nesta tarde
Que é sem fim?

Que querer
Desta vida
Tão sentida,
Dividida
Entre versos

E vontades?
Não há nada
Que me salve
De mim. Nem
Mesmo o tempo

Que é me dado.
Sou de fato
Toda angústia,
Bomba atômica
De sentidos...

Só preciso
Implodir!



terça-feira, 10 de novembro de 2009

ADRIANO NUNES: "Canção VI"

"Canção VI"




Descansa a minha vida,
Sob as vestes da aurora.
A alma se esvai agora,
Feito nuvem, perdida

Entre tanta miragem.
Todo sonho me invade
(Temo que seja tarde
Sentir tal gozo, à margem

Do amor, dessa alegria)
- De nada mais preciso -
Nenhum pranto, nem riso!
Salvar-me... Poderia?


Adriano Nunes