quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Adriano Nunes: "Se versos faço"

"Se versos faço"


Na noite alta
Nada me falta,
Se versos faço.
A vez é laço.
Silêncios caço
No espelho baço
Do que se exalta
Na noite alta:
Que vida basta
Pra pôr na pasta,
Feito retrato?
Que voz é vasta
Pra dar ao ato
Formato exato?

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Adriano Nunes: "Ó, Verve!"

"Ó, Verve!"

Na folha 
Anêmica,
O que 
Rolar
No voo
Da pena
Não deve
Ser coisa
Pequena,
E pode
Ser que
Já valha
A sanha ou
A senha:
Mas como
Dizer-vos
Agora
A senha?
Ó, Verve,
Não te
Detenhas!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Adriano Nunes: "Forever" - to Hamish Danks Brown

"Forever" - to  Hamish Danks Brown

Oh, please,
My dear
Poetry,
A piece
Of peace
Is pleasant
For me,
It is
A bliss.
But if
You kiss
My beat
With this
Sweet swing
I think
That we
Can live
Together,
Scraping,
Romping,
Forever.

Adriano Nunes: "Tudo fica"

"Tudo fica"


Sob as lápides,
Alguns lapsos,
Alguns laços
Bem atados,
Outros não.
Certamente
Nada sobra,
Nem um olho!
Muito menos
Coração.
Só memória
De algum ente
Se parente, e
Olhe lá!
Os haveres,
Os desejos
Que ninguém
Sequer sabe...
Ah, desfazem-se!
Ossos todos,
Uns roídos
Pelo tempo.
Uns porosos
Desde quando o
- Feito máquina -
Corpo andava.
Pensamentos
Nunca expostos?
Pouco importam!
Até vermes
Podem ter
Seus propósitos
Definidos.
"O existir
Goza em ser
Comestível",
Clamam os
Tapurus
Eruditos.
"Por enquanto,
Se há carne
E tutano -
Dizem - "cá,
Bem estamos!"
E, não se
Saberá
Jamais, com
Quantos versos
É possível
Engendrar
Paraísos
Para os vivos.
Mas se morre
Um poeta,
Vê-se logo
Que é certo
Que, sob pedra,
Não se encerra
Sua vida.
Tudo fica
Sobre a lápide,
Mesmo que, a
Sete palmos,
Dela abaixo,
Bem descanse
Ou se estresse
O cadáver.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Adriano Nunes: "Pode até ser" - para Carmen Silvia Presotto

"Pode até ser" - para Carmen Silvia Presotto


Pode até ser
Que o sofrimento
Os seus momentos
De império tenha e
Do acaso mesmo
Faça a fogueira
Em que quimera
E espera sejam
Tormento imenso,
A deletéria
Direção, sempre
Pronta pra ver
Ruir o que
Mais se planeja,
O que mais se
Quer, o que serve
Pra aplacar medos,
Fracassos, tédios.
Pode até ser...
Porém a pena
Vale viver,
Acontecer
Toda a existência
Ignota, plena.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Adriano Nunes:"Sem rédea"

"Sem rédea"

Eu e a
Saudade,
Sem rédea,
De ti,
Aqui,
Na tarde
Elástica
Do verso.
Assim,
Imerso
Em mim,
Que basta?
Que ideia
Mais arde,
Que rotas,
Enquanto
Decanto-te
Num canto -
Não notas? -,
Sem mote,
Sem fim?

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Adriano Nunes: "Freedom" - To Marjorie Perloff

"Freedom" - To Marjorie Perloff


Freedom is
A beautiful bird
That, hungry
For some grains,
Unwary, lands
Near at hands.
With a trap,
We try to catch it
Fastly. And
We raise
Our cunning
In the air, in vain.
We stumble then!
And, during
The fall,
Without wishing,
We step
On its head.