sábado, 16 de junho de 2018

Adriano Nunes: "Tarde"

"Tarde"


Silêncio. Na sala,
O vácuo de ser
Quem mesmo me penso
E sinto apavora-me.

Talvez, escapando
De mim, sem saber
Como ser quem sou
Achasse prazer

Em ser só por ser.
Talvez, mais fugindo
De ser e não-ser,
Os outros em mim

Sentissem-me, enfim,
Como os sinto agora.
Silêncio. Na sala,
Já é tudo ou nada.

Adriano Nunes: "The sybarites"

"The sybarites"


They went to the battlefield
With their precious and precise horses.
Gold and silver armatures.
Existence is that was outworn
And violently sealed.
Hopes had been born
Even for those who despise it.
They had everything and had nothing.

They marched marvelous
Against the great Crotone,
Of ancient Greece, a colony.
Dangers were unknown.
Elms with rubies and emeralds.
Oh Vanity was very valid
From skin to bone!
They had everything and had nothing.

Evening storm, not only weapons
At the hand of the warriors
Of the wise colony
Crotone: instruments, for
The execution of a sonata,
With perfect tuning were.
Oh how reason rewards
Those who possess it!
We are fools commonly!
Embellished with jade all swords.
They had everything and had nothing.

From the army wings
Their harmonic sound jumps
To the ranks ahead and, amazed,
The paralyzed view remains:
How every horse dances!
Dances, and do not fight -
What a dire disgrace!
History marks and erases
Without any mercy lifes.
Listen to of fatality the crumps!
They had everything and had nothing.

Poor sybarites without tactics!
Blood and pain dirty their covers.
Death celebrates...
How it is bright,
And reality becomes
A strange night!
These are the scary weights
Of music of chances.
Oh how their horses do not dance
Anymore! They do not dance!
They had everything...
And there is nothing.


Adriano Nunes

Adriano Nunes: "Lídia"

"Lídia"


De onde vem
Essa leveza
Que se traduz
Em grã beleza?
Dizem ser, de
Lá, dumas terras
Antigas, terras
Cheias de verde:
Do mar à selva,
Ao signo, à luz.
De onde vem
Essa doçura?
Lá, do Pará?
Da arcaica Λυδία?
Oh, vem, será
Da verve pura?
Quem saberá?
Sabe-se, já,
Que gerou bem
O Leo e a Nina.
De onde vem
Essa beleza
Que se traduz
Em grã leveza?


Adriano Nunes

terça-feira, 5 de junho de 2018

Adriano Nunes: "Sea of Poetry"

"Sea of Poetry"


Under the sea
Of your fears, dear
Nifty reader,
There is another
Sea: can you see
It? Under the
Sea of beauty,
Dear astute reader,
There is another 
Beauty: but you
Do not need to
See it neither
Anything. Under
The sea of Poetry
There is a myriad 
Of signs and senses.
Every unknown word 
Wants to touch 
Your lips! There is
A tangle of dreams.
So just dream, and
Choose one 
For you, fastly.
Close your eyes. 
Now you can see 
The sea. This sea.
Just feel it.
Do you still want 
More? Oh, be wise!

Adriano Nunes: "Ἀοιδός"

"Ἀοιδός"


los poetas
nunca están
sólo de
vanos chistes.
desde homero
al latín,
magno horacio,
mucho si
ha lanzado a

la existencia.
de una duda
a las ciencias,
a lo que
nos atormenta.
con razón
inventaron
la primera
gran palabra,

el primero
signo, para
decir esto.
o, quizás,
decir nada.
todo esto
se ha dicho
por Terencio:
¡ya hablado!

sí, los bardos
han creado
infinitos,
el terrible
y lo qué
más existe.
los poetas
son heraldos
de los fados.

y por eso
platón miedo
tenía, tanto,
de nosotros.
es un hecho!

Adriano Nunes: "ἀοιδός"

"ἀοιδός"


os poetas
não estão
mesmo de
brincadeira.
desde homero
ao latino,
magno horácio,
muito se
tem lançado

à existência.
duma dúvida
às ciências,
ao que nos
atormenta.
com certeza
inventaram
a primeira
grã palavra,

o primeiro
signo, para
dizer isto.
ou, quem sabe,
dizer nada.
tudo já
fora dito,
qual terêncio
afirmara.

sim, os bardos
têm criado
o infinito,
o terrível
e o que mais
for pensado.
os poetas
são arautos
do improvável.

por isso
platão tinha
medo de
nós, de fato.

Adriano Nunes: "Com gáudio"

"Com gáudio"


E, contra o
Silêncio
E a vã
Vivência,
Os pássaros,
Nas árvores
Frondosas,
Já cantam
Bem alto
E entregam-nos
A nova
Manhã,
Com gáudio.


Adriano Nunes