domingo, 20 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Poetry" - to my dear friend, Australian poet Hamish Danks Brown (for his birthday)

"Poetry" - to my dear friend, Australian poet Hamish Danks Brown (for his birthday)


Poetry is
What it is not
It is light
It is another night
To fight
Against fixed spot
Against impossibilities
Poetry is hot

It burns
The careless and hurried bards
Why is everything so hard?
It hurts
Because it starts it all
Inaugurating several
Cosmos of multiple senses
In this gray world

Oh this we know and
They know it too -
The enemies of poetry,
Those who destroy
Hopes, dreams and simple joys.
What they do not know is
That poetry is stronger than
Their hate and their cruel plan.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "A trilha inteira"

"A trilha inteira"


Entre as olheiras
E o que o ver queira,
A trilha inteira
Para aprender,
-Ah, que poder!-,
Uma maneira
De feliz ser
Junto a você.
Até fazer
Da vez, à beira
Do bis, certeira
Escolha: ter
Que conviver
Com a cegueira
Do amor, primeira
Certeza, a que
Tudo valer
Faz, com prazer.

Adriano Nunes: "A cantar o amor"

"A cantar o amor"


Se nada der certo,
Ao menos, é certo,
Vingará meu verso,
Distinto, disperso

A cantar o amor
Que pude propor
A ti, ou supor
Que assim era amor.

Se nada for justo
Qual teci, é justo
Que a ti fique junto o
Sonho de conjunto

Adriano Nunes: "Ηχώ"

"Ηχώ"


Palavra dura
Nunca mais dure.
Jamais procure
Escapar das
Cordas vocais.

Será loucura!
Pra que ferir
Alguém com farpas
Tão afiadas?
Pense nos ais!

Sim, permaneça
Presa à cabeça
Até que, súbita,
Desapareça.
Que importa mais?

Palavra dura,
Pra que dureza?
Perca-se inteira
Entre as sinapses.
Não é demais!

Na área de
Broca se finque
E não escape
Pela laringe,
Com sons fatais.

Palavra pétrea,
Para que pressa
De chegar à
Boca? Por que
Só não se esvai?

Adriano Nunes: "No coração" - para a minha mãe

"No coração" - para a minha mãe


Chove e não há
Outra certeza.
Talvez bem caiba
No coração
O que me deixa.
Ah, dor de ser
Quem mais me pinto!
Ah, dor de estar
No labirinto
Das coisas que
Apenas são!
Por que se alastra
Através da
Pele, da carne
Da arte, da
Verve que arde?
Como fazer
Para valer
A tentativa
De à vida já
Ofertar a
Mágica rara
Que se desprende
Destas palavras?

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Ἐρατώ" - para Antonio Cicero

"Ἐρατώ" - para Antonio Cicero


Estamos
Distante
De Atenas
Agora.

De cordas
Suaves
Sons saltam
E alcançam

Orelhas
Atentas.
Não raro,
Alguns

Dispersam-se
E escondem-se
Dos homens.
No bosque,

Pã para
A flauta.
Não há
Mais nada

Intacto!
"A amável!" -
Espalha-se o
Boato

Já rápido.
Até Cloto
E Átropos,
Cansadas,

Suspendem
Seu sério
Trabalho
Com almas,

Pra ouvirem,
Silentes,
A lira
De Erato.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Pãe & Mai"

"PÃE & MAI"


PAIPODESERMÃE
PAIPODESERMÃM
PAIPODESERMMÃ
PAIPODESERMÃE
PAIPODESEMÃEP
PAIPODESMÃEPO
PAIPODEMÃEPOD
PAIPODMÃEPODE
PAIPOMÃEPODES
PAIPMÃEPODESE
PAIMÃEPODESER
PAMÃEPODESERP
PMÃEPODESERPA
MÃEPODESERPAI

domingo, 13 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Amor"

"Amor"


Amor, somente o teu.
Explico: a vida inteira,
Os passeios na feira,
A astúcia de Proteu.

A tara que bateu.
Aquela dor primeira.
A mesma brincadeira...
Tudo para ser teu.

Amor? Quem te verteu
Em foz, dessa maneira?
Explica-me: a que beira
O sonho de ser teu?

Adriano Nunes: "O que cessa"

"O que cessa"


O que quer
O poema?
Com que esquema
É, não é?

Com que ética
Tudo mede?
Obedece
A que estética?

Feito pena
Por que é leve?
Por que à verve
Dá-se apenas?

O que almeja
Da incerteza?
Que se veja
A beleza?

O poema
Diz-me: pressa
Pra quê? Tema
O que cessa!

Adriano Nunes: "Sem saída" - para a minha mãe

"Sem saída" - para a minha mãe


Às vezes, tudo dói.
Os astros no alto infindo,
Os deuses além do que me peso e sinto,
O que há entre os mais íntimos.
Como agora.
Como dor
Que não soçobra.
Como dor
Que, por tanto doer,
Apavora.
Como o desejo que explode
O desejo de norte,
A vida sem vida lá fora.
Como a vida sem saída.
Que saída?
Aquilo que o poema esconde
E escapa por onde
Não dá para saber.
Às vezes, tudo brilha

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Ode à coriza"

"Ode à coriza"


Entre espirros e prurido nasal,
Outro decassílabo vem surgindo.
Parece que tudo é líquido e lindo,
Mas certo é que se faz um carnaval:

Mucosa congesta e muco caindo...
Contra a minha vontade, água e sal
Despencam lentamente natural,
Lacrimejam meus olhos, reluzindo.

Arre! De anti-histamínico preciso!
Até, quem sabe, de um antigripal...
Cada poema tem seu ritual!

Assim, entre espirros, et cetera e tal,
Vou construindo versos e, indeciso,
Em meu ser afogo-me, qual Narciso.

Adriano Nunes: "Poética"

"Poética"


Verter-te
Em verso
Pra ter-te
Pra sempre,

Pra ter,
À verve
Do ser,
Teu sexo

Complexo e,
Perplexo,
Querer-te
Prazer.

Adriano Nunes: "Entre o ver e a verve"

"Entre o ver e a verve"


Imerso no rubro quadro 
O azul quase intacto
Quase vermelho quase
Azul por inteiro e

Entre o ver e a verve
O polvo se põe e se ergue
Quase se move mesmo
Mesclado ao mar vermelho

Quase de si escapa
Tentáculos e massa encefálica
Tem vermelho no meio
Do azul como recheio

Do ver que mais salta?
Água que se reparte?
Algas à parte?
Quase nada

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Lógica"

"Lógica" - para Friedrich Nietzsche


Nada é real-
Mente igual.

Adriano Nunes: "Política"

"Política"

De pato
Inflável
Nas ruas
A agro
É pop,

Da casta
Acéfala
Que dança
Em nome
Da Pátria -

Que pátria?
Dos patos
De plástico?
Da classe
Histérica

Que bate
Panela?
Que, à parte,
Já sabe
Ser média?

Dos votos
Na Câmara
Simbólicos,
Do óbvio
Propósito

Das malas,
Da grana
Roubada
Às marchas
Apáticas,

Das provas
Que calam,
Do voo
Do ovo
Às vias

De fato,
Política,
Aqui,
É mesmo
Negócio

De espertos
Larápios,
Corruptos
Sem um
Escrúpulo.

O povo?
Tão tolo,
Tão dócil,
Tão povo,
Ao fundo

Do poço
Vai fundo,
Sorrindo,
Sofrendo,
Seguindo,

Qual tolo
Rebanho,
Vai junto...
Ser massa
É tudo.

Adriano Nunes: "Do ovo" - para Ricardo Silvestrin

"Do ovo" - para Ricardo Silvestrin


O po
Vo no
Fun do
Do po
Ço pôs
To do
O por
Vir no
Vo o
Do o
Vo po
Is to
Lo fo
Ra o
Tem po
To do

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Farol" - para Caetano Veloso

"Farol" - para o amado amigo Caetano Veloso


Somente a flor do querer para ver-
Ter-te numa canção, pelo prazer
De compor a emoção, para fazer
Valer o sonho, o amor, todo o viver.

Somente à foz do saber para ver
Se ao ter-te inteiro aqui, pelo lazer
De alargar a ilusão, e refazer
A lida, a verve, o verso avulso a haver

Noutra página alva, alvo incer-
To, do início, que fez brilhar, crescer
De "a" a "z", cá, moreno tom de nascer...

Semente, ser mais mente, amanhecer:
Mais do que podem metro e rima, o cer-
To do ser, farol deste acontecer.

sábado, 5 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Verdades" - para Péricles cavalcanti

"Verdades" - para Péricles Cavalcanti


Só há verdades para aqueles
Que querem saber de verdades.
Não adianta dizer que cabe
Numa verdade o que bem se quer.
Melhor é supor, antes tarde
Que nunca, que não há qualquer
Verdade. Deste modo, porém,
Cai-se num relativismo cego e
Perigoso. Sem a verdade
Nem mesmo esta afirmação de
Que não há verdades. Então, bem
Vê, há, ainda sem querer, ao menos,
Verdade. A que a lógica traz:
A que não se oculta jamais.
Por isso, imerso em versos, alheio
Ao que vinga falso ou verdadeiro,
Tento satisfazer - por quê? -
O ego de vate. O que quero
Que não mais seja verdade? E, atrás
Do que ficou pra trás e olvidado,
Sigo, lendo, compondo a arte
Que me ofertam Euterpe e Erato.
Não te afetas a existência plena?
O acaso diz: "queres que te atendas?"
Já não me importo com o fado
De estar em conflito em mim. Faz-se
Vital, pra a beleza suprema,
Isso: tudo virará poema.

Adriano Nunes: "Melodia"

"Melodia"


luizmelodia
luizmelodip
luizmelodpé
luizmelopér
luizmelpéro
luizmepérol
luizmpérola
luizpérolan
luipérolane
lupérolaneg
lpérolanegr
pérolanegra

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Estranheza"

"Estranheza"


O mundo. Podre como sempre
Pode ser. Cruel como sempre
Pode ser. Injusto com quem
Parece desvendar os seus mistérios.
Tudo é discurso e prática lesivos.
Tudo é algaravia, e massa acéfala
A girar, a sangrar e a seguir, como testa-de-ferro.
E não basta a alegria cega e frenética.
Não basta a dose de espanto e tédio.
O horror fétido atiça a fúria e mostra os dentes.
Ser gente é não compactuar com o outro, parece.
Ser gente é fazer parte do medo.
Do grande medo de tudo que é ser gente.
Somos obrigados a ficar lerdos e
Calados. A ficar à mercê do tempo de
Escravizar-nos, por causa da esperança que
Já não mais consegue deixar de ser
Manca e maliciosamente nefasta e ética.
Porque é esta a ética dos moralizadores secos.
Porque esta é a ética do rebanho que se verte
Em ordem legitimadora de violências e degredos.
Ah, tarde de não querer saber de nada mais e além!
Ah, instante de horror perigosamente nonsense!
Ah, cercas e farpas de ideologias frias e férteis,
Que têm engendrado assassinos e heróis e deuses!
Porque não há não há um abismo apenas,
Todas as vozes se perdem.
Todos os ecos se adensam em metas e méritos, em mescla
De todos os absurdos iridescentes.
Somos um erro. Sempre um erro. Sem conserto,
Ao que tudo indica. Desde a morte séria
De Antígona à ratoeira de Hamlet. Ao peso
Da existência de algum Buendía. Aos sem
Expectativa de nada. Ao silêncio
De tudo que tudo represente.
Ao horror mesmo.

Adriano Nunes: "Amor mesmo"

"Amor mesmo"


Já amei pernas,
Braços e peitos,
Olhos e flertes,
Lábios e até
Unhas do pé.
Aqui, confesso:
Muito amei mechas
Mesmo amarelas,
Risos e pele
Flácida, tesa,
Músculo e orelhas,
Partes pudendas
E o grã mistério
Por trás do sexo.
Amor, porém,
Intenso e além,
Só pelo verso.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Adriano Nunes: "Foi mais que isso"

"Foi mais que isso"

Já não te digo,
Astuto amigo,
Como de Cila
E de Caríbdis
Escapei vivo,
Sem mais feridas,

Como em perigo
Estive, ainda
Que a dor explícita
Não fosse. Digo:
Foi mais que isso.
Que em mim se finca?

Dirão que minto.
Que importa? Sigo
Pelo caminho
Do mar, qual filho
Do deus Posídon.
Sonhar, que implica?

O lar marítimo
Afaga o íntimo
Do que me sinto.
Ah, Circe é linda!
Grego perdido,
Não quero Ítaca,

Pra nada ligo.
Melhor explico:
A mim persigo,
Como quem fisga
Acaso e lida,
Ocaso e prisma.

Assim fugi
Do que limita,
Livre do vínculo
Que une o mito
À vida, misto
De ais, saída.

Já não te digo,
Silente amiga,
Quanto feliz
Fui, sem destino,
Nos véus das idas,
Nas despedidas.

domingo, 30 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Fênix"

"Fênix"


Do Dorflex
À Netflix,

De ex
Em ex,

A tudo
Que me dei,

Da Jontex
Ao cóccix,

Do amor,
Que sei?

Adriano Nunes: "Ars poetica"- para Adriana Calcanhotto

"Ars poetica"- para Adriana Calcanhotto

Da vez
À voz,
A ver-
Ve de
Viver.

Da voz
À vez,
O ver-
So a
Sorver

O vão,
A vez,
O véu
Da voz,
Do ver.

sábado, 29 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Astuta solidão" - Para a minha mãe

"Astuta solidão" - para a minha mãe


Quantos de mim em mim
Ainda há, intactos?
Trilhas pra ser amante,
Repressões pra importante
Ser... Pra que apenas ser?
Mil batalhas pra nada?

Ah, intrigas tão íntimas
Que em meu sonhar deságuam!
Quanto de mim mais sou
Nesta solidão vasta?
Quando enfim direi basta?
Ah, minério de máscaras,

Esboços para a alma
Que em mim cedo forjava-se!
Por que me fiz palavra
Solta, na folha alva?
Por que me dei a rimas
Raras, à proeza e táticas

Das metáforas, asas
Que de mim se exilavam?
Que fresta já é esta
Que se abre no olhar
Para que tudo estar
Possa além da lágrima?

Ah, coração aéreo,
Por que assim tens levado o
Eco do amor a sério?
De mim que agora faço?
Com que medo te cerco?
Versos não te ameaçam?


Adriano Nunes: "Beleza"

"Beleza"


Beleza, agrego a ti
A arte que no pensar incide.
Por um triz, eu quase quis
Fugir de mim, ser o que dizem
Que eu deveria ser, no mínimo.
Mas isto, bem te digo,
É mesmo punitivo,
Risco ruim,
Tiro no íntimo.

Beleza, agarro-me a ti,
Hora mais livre.
Por um fio, quase desisti
De fincar-me em mim,
Ser quem me sinto.
Ainda bem que isto
É aqui permitido,
Salto ao infinito
De algum sorriso.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Na noite da poesia"

"Na noite da poesia"


Na noite da poesia,
Há este sol.
A liberdade que anuncia
Estética alegria.
Ah, se pudesse dar à
Noite da poesia
Uma rima rara,
Um ritmo im-
Previsto, um im-
Pulso para tudo!
Na noite
Da poesia, justo
Na noite da poesia,
- Quem a sente? -
Deixo ecoar o quanto
Concretamente
O amor amo.

Adriano Nunes: "Armadilha"

"Armadilha"


Eu não precisa de sim
Eu não precisa de
Fim eu não precisa 
De ser eu não
Se permita
Saber
Nada
De si
Do seu se
Do seu assim
Do seu silêncio e
Do seu ser chinfrim
Eu seja outro em mim

terça-feira, 25 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Outro olvido"

"Outro olvido"


Esquece a tua sociedade de capitalista
Esquece o teu capital de socialista
Esquece a tua fúria de fundamentalista
Esquece o teu ego de economista
Esquece todos os teus fins que não findam
Esquece todas as tuas limitadas listas
Esquece tudo e tudo o mais ainda
Esquece a tua forma de formalista
Esquece a tua lei de legalista
Esquece o teu plural de pluralista
Esquece o teu contorno de contorcionista
Esquece todos os teus reinos que tudo reificam
Esquece todas as tuas ideias de idealista
Esquece mesmo e muito mais ainda
Esquece a tua vida
Ela é menor do que és, tão mínima!
Esquece a tua vida
Ela é pior do que bem duvidas
Esquece a tua regra de reducionista
Esquece a tua mania de vítima
Esquece a tua mediocridade meritocrática desmedida
Esquece a vida
Esquece a vid
Esquece a vi
Esquece a v
Esquece a
Esquece
Esquec
Esque
Esqu
Esq
Es
E
Deixa em paz as outras vidas!

Adriano Nunes: "Conflito" - para Alberto Lins Caldas

"Conflito" - para Alberto Lins Caldas


Conflito
Sempre foi deste jeito desde o início
Desde quando surgiu o primo bicho
Quando emergiu do ser o agir nocivo
Quando "isso é meu", "isso é teu" foi dito
Desde a ilusão do inferno e paraíso
Conflito
Desde a disputa por canto mais propício
Desde cedo quando se dera um grito
Quando tudo era ruído e rabisco
Quando a vida passou a ter sentido
Desde quando a força era a lei, o lícito
Conflito
Antes mesmo de haver Homero e Hesíodo
À vista, à socapa, implícito e explícito
Antes até de matarem o Cristo
Antes, já te digo, do amor ter ritmo
Desde quando o mundo era plano e mítico
Conflito
Sempre está nos discursos, nos editos
Sempre está nas práticas, nos princípios
Sempre até nos gestos simples e tímidos
Sempre até no silêncio construído
Sempre vivo no que for concebível
Conflito
Entre o teu pensar nítido
E o meu sentir distinto
Entre o interpretar íntimo
E o que há, no mínimo,
Como escapar disto,

Conflito?

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Adriano Nunes: "De tudo e do que tem sido"

"De tudo e do que tem sido"


Madrugada. Só o ruído
Regular do relógio fixo
À parede registra o ritmo
De tudo e do que tem sido
A solidão. Apenas isso
Que se irradia além do íntimo?
Tanta esperança por um fio!
Ah, sentir-me triste e vazio!
Madrugada... Que bem persigo
Entre os sóis dos meus ais mais nítidos?
Que dor reina desde menino?
Ah, memória que ressurgindo
Vai, pouco a pouco, dos livros
Que li e lança-me a infinitos!

domingo, 23 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Punk" - Para Filipe Catto

"Punk" - para Filipe Cat


Quem nunca fez
Moicano com sabonete?
Quem nunca deu
Gritos contra as mil paredes?
Quem nunca teve
Desejo de ser rebelde,
E diferente,
De nadar contra a corrente?

Quem nunca mesmo
Quis mudar gestos e jeitos,
Para não ser
Como tudo quer que seja?
Quem nunca fez
De tudo pra ter jaqueta,
Guitarra elétrica,
E gótico parecer,

Sem ter certezas
De nada. Pra que certezas?
Quem nunca quer
Pôr abaixo tudo que
É como é?
Quem nunca deu
Mais de si, rasgou o eu
Pra feliz ser,

Sem remorsos e sem medo?
Quem nunca fez
Peripécias no cabelo,
Pra se sentir livre e inteiro?
Quem nunca teve
Que guardar até dinheiro
Pra ir a festas,
Sonhou ter motocicleta,

Tênis converse,
Cadeados e correntes?
Quem nunca à frente
Quis estar do que acontece,
Tão de repente?
Por que a vida se faz breve
Se a luta é de toda gente?
Quem não se sente?

sábado, 22 de julho de 2017

Adriano Nunes: "À flor da noite"

"À flor da noite"


Pétala a pétala,
O ver desfaz-se
Em ver: metáforas
De talo e faces.

Ao pé da fala,
O agora agarra
O mais pensar-te,
Dentro da métrica.

Tudo quer norte:
O que nos move,
O que nos molda,
À flor da noite.

Ah, que bem resta
À pressa de
Não ter saudade?
Musgo e memória?

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Rain"

"Rain"


This
Rain
Is
No
End.

It
Rains
On
Life
And

Its
Streets,
Bridges...
Like a
Blend,

Grass,
Roofs,
Air,
Seas,
Lands...

Every-
Thing
Is
Water
Then

Adriano Nunes: "Chove"

"Chove"


Chove
Forte
Sobre a
Vida

Ruas
Postes
Pontes
Vilas

Prédios
Casas
Cantos
Vítimas

Tudo
Quase
Água
Vira

domingo, 16 de julho de 2017

Adriano Nunes: "O x da questão"- para Péricles Cavalcanti

"O x da questão" - para Péricles Cavalcanti


Do Ajax, de Homero,
A Obelix e Asterix,
De Uderzo e Goscinny,
De Marx a Max, ao mix
De tudo que surgir
Pode, como no poema
Polivox de Waly,
Cantado por Adrix.
Ou ad hoc o termo latim
Ex, como em ex libris.
Ou o nosso ex, para
Dizer que já era.
Fiat lux! Pax aeterna!
De Mad Max a Matrix,
De Frevox a Tropix,
De INXS a Bono Vox,
Dos óxidos ao botox,
Da fúria de Sufax
À Feira Mix.
Dos anúncios da OLX
Aos pedidos no Tex
Bar, lá da Consolação,
Que, ao acaso, descobri.
Os sons da Rádio Mix.
Da antiga Sfax
Ao satélite Sycorax.
Eis o X da questão.

sábado, 15 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Nesta noite infinda"

Nesta noite infinda"

Vinte e três e trinta.
Nenhuma dor finda.
Queres que já minta?
Sonhos na berlinda.

Vinte e três e... ainda
Vinga em mim a tinta
Do que se deslinda
Em ser, e tudo pinta.

Do amor, a vez linda,
Os flertes, a finta,
Os truques. A vinda...
Da vida distinta.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Outra beleza"

"Outra beleza"


Teu nome: pedra.
Outra beleza
Que em mim impera

Através desse
Alegre flerte
Que de ti vem,

Sem medo, pressa,
Que me conecta
A mim, sem que

Todo o prazer
No olhar se perca.
Um norte: pérola

Métrica, pele
Morena. Nem
Sei dizer bem

Como te quero.
Do plano, a presa
Sem chance de

Fuga, sem ter
Como, assim creio,
Escapar mesmo

Deste desejo
Que mais desejo,
Agora, a esmo.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Há os olhos para depois"

"Há os olhos para depois"


Noite. Algum corpo finca-se
No horizonte das vontades.
Há os olhos para depois.
Há os lábios para o liame mais íntimo.
E esse espaço recoberto de silêncios
E sonhos de inexistências.
Tudo esfacelado? Tudo jorrando
Pela solidão de tudo enquanto tudo.
Vez ou outra, os ruídos da rua rasgam a vida.
Vez ou outra, o pensar se desprende
Do que parece ser acaso.
Aquela notícia no jornal de ontem.
Aquele homem já sem vida.
Aquela oferta com mercadoria vencida.
Tudo dói ainda. Porque não
Importa ter mais olhos para lágrimas,
E para apertos e angústias múltiplas
Ter coração.
Cadê o moço de frete que já não passa,
Por aqui, com sorrisos de delícias e desventuras?
Cadê a vendedora de milho cozido?
Tudo foi excluído pela noite.
Já não há as portas abertas, as vizinhas
A domar o mundo com as orelhas e as línguas.
Já não se veem as peripécias dos moleques,
Os passeios trôpegos das velhas.
Ó, noite, por que me dás a quântica tristeza,
Para que não findes despercebida?
Tudo que corrói e dilacera.
A ferida aberta. O calor. A meta.
Há os olhos de nós dois...
Este êxtase de amalgamar tudo que se foi
Com a ideia de retorno, de reinício.
A vaidade e o vínculo e o vício.

Adriano Nunes: "Flerte"

"Flerte"


Desprende-se
De ti
O flerte,

Porém
Não sabes.
O acaso

Levando-nos
A ser-nos
Dois entes

Estranhos.
Teus músculos,
A música

Do último
Instante:
Desejo

De apenas
Saber-te
Desejo:

A pele
Morena,
O laço

Ardente.
Não sentes,
Sei bem.

Enquanto
À espera
De um lance

De amor
Estou,
Silêncio,

Suor
E força
Alertam-me:

A vida
Ainda
É outra!

Adriano Nunes: "Não há escapatória"

"Não há escapatória"


Na guerra inescapável da política,
Todos estão
Procurando pelos culpados. 
Apontam os dedos então
Para cima, para baixo,
Para trás, para frente.
Ninguém ousa falar
A verdade. Ela pesa sempre
Mais do que a vaidade
De compactuar com
A miséria e a desgraça.
Ainda não se sabe
O que é potencialmente bom.

Os direitos
Na corda bamba das conveniências
Balançam-se,
Para lá, para cá,
Para além do que pode o pensar.
Vez ou outra, admitem
Os mais ousados:
"Somos todos os culpados!"
Depois, parece que, rápido,
Passa o tempo e,
Por esquecido, tudo dá-se.
Os símiles corruptos e corruptíveis,
Os conhecidos ladrões das verbas para a merenda
Das crianças escolares,
Os de ágeis e práticos discursos,
Os espúrios que nunca entram em apuros,
Os que jamais nenhum apoio dispensam.

Errado, tu, leitor, não me entendas.
Retirando de ti a tua venda,
Talvez, a visão do todo possa, um pouco,
Melhorar. Um pouco. De cada vez, um pouco.
Não vês? Como não vês?
Estamos numa sopa de podridão e amarguras,
De ideais que já não servem mais.
Nossos políticos -
Como tolos somos! -, queiramos ou não,
Dilaceraram a nossa já manca esperança,
Eles furtam, fazem o jogo sujo,
Conchavos contra o povo.
Não apontemos para um ou outro
Nome. Que nome da Justiça não se esconde?
Não é justo. O poço é sem fundo.
Não se salva ninguém? Não se salva?

No País das malas fartas
E das mesadas pagas,
Só ratos, gabirus, sanguessugas cantam alto,
Trazendo vida e êxtase ao submundo
Das negociatas e trapaças.
Ó, eleitor, por que choramingas agora
Que te puseram no pescoço a corda?
Da esquerda, da direita,
Não há escapatória.
Procurando pelos culpados,
Apontam os dedos inflamados
Para todos os lados.
Da ilusão, dentro e fora.
A sujeira não tem partido.
A astúcia não tem partido.
Apenas tu, leitor,
Queres ainda essa bitola?

domingo, 9 de julho de 2017

Stephen Crane: "In the Desert" (Tradução de Adriano Nunes)

"No deserto" (tradução de Adriano Nunes)


No deserto
Eu vi uma criatura, nua, bestial,
Que, agachando-se, 
Segurou seu coração,
E dele comeu.
Indaguei: "É bom, amigo?"
"É amargo - amargo", respondeu;
"Mas eu gosto
"Porque é amargo,
"E porque é o meu"

Stephen Crane: "In the Desert"

In the desert
I saw a creature, naked, bestial,
Who, squatting upon the ground,
Held his heart in his hands,
And ate of it.
I said, “Is it good, friend?”
“It is bitter—bitter,” he answered;
“But I like it
“Because it is bitter,
“And because it is my heart.”


CRANE, Stephen. "In the desert". In:_____. https://m.poets.org/poetsorg/poem/desert. Acesso 08/07/2017.

sábado, 8 de julho de 2017

Οδυσσέας Ελύτης «Περασμένα Μεσάνυχτα» (tradução de Adriano Nunes)

"Passada a meia-noite" (tradução de Adriano Nunes)

Passada a meia-noite em minha vida inteira
Como numa Via-Láctea rasante pesa a minha cabeça
Todos dormem com a face prateada, santos
Vazios de paixões são arrastados pelo vento
Até o cabo do Grã Cisne. Quem foi feliz e quem não e depois?
Todos findamos símile deixando enfim
Uma saliva amarga e gravados na face sem barbear
Caracteres gregos que tratam de ajustar-se um ao outro para que
A palavra de tua vida a única se...
Passada a meia-noite em minha vida inteira
Passam carros de bombeiros, até que incêndios
Ninguém sabe. Num quarto de quatro por cinco o fumo se condensou. 

Apenas se distinguem
A folha de papel e minha máquina de escrever. Deus
Golpeia as chaves e as incontáveis penas chegam até o teto
Perto da aurora
aparecem por um momento as costas e sobre
Elas verticalmente as montanhas são escuras e púrpuras.
Realmente parece que
Vivo para quando já não mais exista
Passada a meia-noite em minha vida inteira
Todos dormem sobre um de seus flancos, aberto
O outro para ver erguer-se a vida onda
Após onda e tua mão se estende
Como a de um morto no instante em que o apanha
a primeira verdade.


Οδυσσέας Ελύτης «Περασμένα Μεσάνυχτα»

Περασμένα μεσάνυχτα σ’ όλη μου τη ζωή
Σαν σε χαμηλωμένο Γαλαξία το κεφάλι μου βαρύ
Κοιμούνται οι άνθρωποι με τ’ ασημένιο πρόσωπο· άγιοι
Που άδειασαν από τα πάθη κι ολοένα τους φυσάει ο αέρας μακριά
Στον κάβο του Μεγάλου Κύκνου. Ποιος ευτύχησε, ποιος όχι
Και ύστερα;
Ίσα τερματίζουμε όλοι στερνά μένουν
Ένα σάλιο πικρό και στο αξύριστό σου πρόσωπο
Χαραγμένα ψηφία ελληνικά που το ένα στο άλλο ν' αρμοστούν
αγωνίζονται ώστε
Η λέξη της ζωής σου η μία εάν...
Περασμένα μεσάνυχτα σ’ όλη μου τη ζωή
Περνάν τα οχήματα της Πυροσβεστικής, για ποιαν από
τις πυρκαγιές
Κανείς δεν ξέρει. Σ’ ένα δωμάτιο τέσσερα επί πέντε ντουμάνιασε
ο καπνός. Προεξέχουν μόνον
Η κόλλα το χαρτί και η γραφομηχανή μου. Πλήκτρα
Χτυπά ο Θεός και αμέτρητα είναι τα βάσανα έως το ταβάνι
Κοντά να ξημερώσει
μια στιγμή φανερώνονται οι αχτές με κάθετα
Πάνω τους τα βουνά σκούρα και μωβ. Αλήθεια θα ‘ναι φαίνεται ότι
Ζω για τότε που δεν θα υπάρχω
Περασμένα μεσάνυχτα σ’ όλη μου τη ζωή
Κοιμούνται οι άνθρωποι στο ‘να τους πλευρό, τ’ άλλο τους
Ανοιχτό να βλέπεις που ανεβαίνει κύματα
Κύματα η ζωή και να ‘ναι τεντωμένο το χέρι σου
Σαν του νεκρού τη στιγμή που του παίρνεται η πρώτη αλήθεια.
Οδυσσέας Ελύτης. "Περασμένα Μεσάνυχτα". In:_____. http://odysseas-elitis.weebly.com/904xiiota-kappaalphaiota-….

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Adriano Nunes: "Eu não posso ir às tralhas dos sonhos"

"Eu não posso ir às tralhas dos sonhos"


Eu não posso ir às cinzas de Troia.
Sei que outros de mim há entre escombros
Que são mesmo a vida e a dor da cidade.
Do mar alto a fumaça me diz tudo.
Eu não posso ir às tralhas dos sonhos.
Cada gemido, cada grito têm-me
Inteiramente. Sou esta agonia
Desesperada de não saber o
Que acontece entre as chamas e as flechas.
Nossos deuses estão demais doentes.
Nossas fúrias estão atentas, bailam.
Ah, esta fumaça longínqua e fria!
Ah, este horror que é carne e tormento!
Não posso ir às mágoas de Troia.
Meus anseios de mar me agarram para
Que eu possa sentir o medo e a malícia
De saber que medo e malícia há
Entre as entranhas da manca esperança.
A esperança de Troia estar intacta!
Ah, por que me deste, como presente,
A ilusão da paz e do dia após?
Por que me incendiaste por beleza?
Do mar exausto, vejo o vasto fogo
Tomando conta do que era a praia,
O recanto, a fortaleza, um instante
De êxtase em existir. Para nada.
Cinzas e gritos, prantos, sangue e névoa.
Eu não posso ir às chagas de Troia.
Ao mofo cruel da memória, às lágrimas...
O meu coração vai-se arrebentar!

domingo, 2 de julho de 2017

Adriano Nunes: "22°C"

"22ºC"


Falta você
Entre os artigos científicos,
Pode até parecer ridículo.
Entre um verbo e uma
Preposição,
Falta você entre os
Despreparos das coisas que são
Quando são só ilusão,
Entre os detalhes mínimos
Dessa solidão que é tão absurda.

Antes que a rima suma, e o verso
Liberto de metro e regra assuma
A direção do que possa vir a ser
O esboço de uma canção,
Confirmo: falta algo, decerto.
Falta você naquele parágrafo que eu não
Consigo mesmo escrever.
Ah, e a temperatura do ar
Parece já sinalizar que irá
Cair, aos poucos: falta
Um corpo disposto a fincar-se noutro.

Por que você não vejo na tevê?
Por que a sua voz da rádio não vaza?
Por que seu ser faz-se memória e tudo marca?
Em algum decassílabo você
Faltava, eu sei. Nas metáforas, o âmago
Para tudo ou nada.
Falta você este poema ler
Para saber que você já não faz falta.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Adriano Nunes; "Beleza"

"Beleza"

Chove. E já não há nisso nada
De extraordinário a não ser
O fato de duas colombinas
Catarem pedrinhas e grãos,

Sem se importarem com a chuva
Ou com minha contemplação.
A existência de tudo sendo
Tudo, além do meu pensamento.

E, eu, sorrindo, vendo o tempo
Valer, em êxtase, vez única.
O que quer o meu coração?

O que almeja tanto? Prazer?
Proeza? A beleza que funda
Em meu ser as coisas que são?

Adriano Nunes: "Ah, por que o pensar mais te oferto?"

"Ah, por que o pensar mais te oferto?"


Molda-se a manhã branca e leve.
Espreita a vida, leva-a a sério
Em seu mimético mistério:
Édipo, em diáspora, cego.

Outra manhã? Ecos de elos
Espalham-se pelos espelhos,
Como reflexo: amor, decerto.
Ah, sentir-me é denso deserto!

Nova manhã? Erros de Eros
Espelham o óbvio pentelho:
Notas sem nexo: o amor é velho
Conhecido - estar perto deve.

Manhã mesma? Egos e ethos...
Esperar-te, amor, já me fere,
Já me funda: vínculo e verve!
Ah, por que o pensar mais te oferto?


terça-feira, 27 de junho de 2017

Adriano Nunes: "Inquietante instante"

"Inquietante instante"


Amanhece.
Ouro e ilusão forjam de verve e
Fulgor a esperança ainda leve.
Vibra o tumulto de tudo
Com o peso de ser o
Tumulto de tudo. Átimo atento
Ao que se reconstrói por dentro
Da prima visão. Estará Apolo
Outra vez disposto a rasgar os céus
Inocentemente? Ou
Basta à existência o que basta
À folha anêmica das expectativas vãs,
O haver manhãs? O que se dissipou?
Amanhece. Metálico
Domesticado canto se ouve:
O despertador se agita: é a vida!
É a vida! É a vida! É a
Vida, a vida já sem rédea,
Que salta de si, de acasos vestida,
Vertida em ser não só vida,
Sem fazer rodeio, sem fazer cena.
Por que tanto nunca mesmo se pôde?
Ah, devir devastador, pretensão pétrea,
Por que à inquietante instante
O sonhar condena?

domingo, 25 de junho de 2017

Elinor Wylie: "Beauty" (tradução de Adriano Nunes)

Elinor Wylie: "Beleza" (tradução de Adriano Nunes)


Não afirmes da beleza que ela
Seja qualquer coisa além de bela,
Ou às asas de madeira das pombas suave
As suas asas selvagens de ave


Não a chames cruel; o toque dessa palavra
Consume-a como uma praga;
Mas não a ame de maneira infinda,
Pois isso é pior ainda.

Ó, ela não é má ou boazinha,
Mas inocente e selvagem!
Exalte-a e ela morre, quem tinha
O pétreo peito de um jovem.

Elinor Wylie: "Beauty"

Say not of Beauty she is good,
Or aught but beautiful,
Or sleek to doves’ wings of the wood
Her wild wings of a gull.

Call her not wicked; that word’s touch
Consumes her like a curse;
But love her not too much, too much,
For that is even worse.

O, she is neither good nor bad,
But innocent and wild!
Enshrine her and she dies, who had
The hard heart of a child.


WILYE, Elinor. Collected Poems of Elinor Wilye. New York: Alfred A. Knopf, 1932.