segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Adriano Nunes: Crítica Musical - "Adriana Partimpim II"

Adriano Nunes: Crítica Musical - "Adriana Partimpim II"





Continuar a ser o que é é quase uma impossibilidade e voltar a ser criança então? Mas "O amor modifica/ O amor a modo de ficar" e Adriana Calcanhotto, outra vez, resgata-nos dessa dor: "Todo mundo pode/ Pode tudo". É assim, abrindo alas à alegria e à infância, que começa esse encantador disco-sequência "Adriana Partimpim II".

O primeiro Partimpim revelou-nos o lado infantil dessa sublime cantora/compositora, com músicas lindamente escolhidas, arranjos doces, tudo certo e no lugar. Resultado: Sucesso de crítica e público... E a criançada adorou!

Agora o baile é mais além, "é massa" e tem "lugar pra qualquer um": Preto, branco, pobre, nobre, menino, menina, adulto, velho, jovem, moicano, plebeu, macedônico, gatinha, borboleta, todos os animais, você e eu.

Como não se espantar e não se admirar com o talento ímpar dessa menina-camaleoa, artista completa, madura, cantando, com tanta leveza e delicadeza, para qualquer público? As suas escolhas musicais perpassam o gosto popular, têm visão coerente com o ensino moderno, apresentando moldura límpida, objetiva, aberta, sem preconceitos, permitindo às criancinhas, desde já, ter acesso à Poesia, à História, aos ritmos todos, à boa música. Partimpim pode tudo... E nós ganhamos tudo dela mais uma vez.

O disco inicia-se com a bela marchinha carnavalesca "Baile Particundum" de autoria de Partimpim e Dé Palmeira. É uma alegoria contagiante, alegre. Dá vontade de sair pelas ruas cantando em voz alta.

A segunda música, "Ringtone de Amor", composta por Adriana, é uma pérola, novíssima bossa. Notar a mudança na letra conforme a música segue.

" O Trenzinho do Caipira", de Heitor Villa-Lobos e Ferreira Gullar, e "Alface", de Cid Campos e Edward Lear, com tradução de Augusto de Campos, revelam o amor da menina Partimpim pela Poesia. A meninada entra em contato com o Concretismo... E que contato!

"Menina, Menino", de Adriana Partimpim, é uma ode ao amor. Muito boa!


A ótima canção "Na Massa", do Arnaldo Antunes e do Davi Moraes, ganhou uma interpretação memorável. É um dos grandes momentos do álbum.

"O homem deu nome a todos animais", de Bob Dylan e versão de Zé Ramalho, surpreende-nos. É o reconhecimento que Adriana dá ao trabalho pioneiro do Zé Ramalho.

O ápice desse genial conjunto artístico se dá justamente quando a maravilhosa canção "Alexandre", de Caetano Veloso, é interpretada de forma magnífica por Partimpim. "Alexandre" é uma obra-prima da música brasileira e está presente no excelente disco "Livro" de Caetano. Deve ser ouvida repetidamente!

"Gatinha Manhosa", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, e "Bim Bom", de João Gilberto" encaixam-se adequadamente no projeto e brilham.

O disco termina com "As Borboletas", de Vinícius de Moraes e Cid Campos. Suave e linda. O baixo de Dé Palmeira nos faz viajar.

Acabou, mas... Que massa!







Adriano Nunes.

Um comentário:

Ana Tapadas disse...

Gostei de ler.
beijo