quinta-feira, 3 de março de 2011

Adriano Nunes: "A lei do amor"

"A lei do amor"

Olhou para os lados...
Ninguém 

Observava nada.
Flertou-me,
Flechou-me,
Feriu-me

Com o fulgor do amor.

Ferida funda
Fundada
Sob a infinda arquitetura 

Das delícias puras
Das súbitas taras,
Das horas mais fogosas
Da astúcia do amor.

Falou-me 

De Grécias, de Macondos, de Atlântidas
Íntimas. Lábias,
Lábios ante lábios,
Lances sobre lances,
O que era melhor, o que era pra ser

A lei do amor.

Instalo-me em mim.
Calo-me.
Talvez bem eu saiba da palavra,
Do instante que calha,

Do segundo sangrante
Dos segredos. Talvez, tenha medo.
Do amor.

Do tempo do seu tempo.

Das intempéries, das suas convulsões
Avulsas, de suas loucuras
Miméticas. De suas técnicas histéricas.
De tudo.
Enquanto tudo.

Enquanto amor.

E disse-me, sem metáforas ou medidas:
Algumas mentiras.

E acreditei mesmo no que me dizia.
Mágica quimera, a poesia.

Aquela das ruas abertas e luzes tão vivas,
Aquela do impossível, do gesto despido.
A poesia do amor.

Um comentário:

betina moraes disse...

impressionante!

parabéns, que jogo perfeito entre sonoridade e grafia!!!


um beijo, querido.