"Depois de horas" - Para Nydia Bonetti e Lou Vilela
Agora me atravesso...
Ponte para o horizonte,
Ponte para estar longe,
Ponte pra mais além.
Lá fora me desperto
Para o tempo - que tédio!
Para a lida - que medo!
Para o verso - que amor!,
E um silêncio revolto
Captura-me... O meu ego
A temer o papel-
Alvo, o que sempre vem.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Adriano Nunes: "De porcelana, a vida" - Para José Mariano Filho
"De porcelana, a vida" - Para José Mariano Filho
Pálida, a pele dela.
De porcelana, a vida
Da boneca sem vida
Vinga inerte, bela.
Sua veste, de renda,
Reveste a arquitetura
Pétrea, plácida, dura,
Estática, estupenda.
A pequena menina,
Artefato da China,
Possui alma mecânica.
Assim ela se cobre
De luz, de metal nobre,
De alegria galvânica.
Pálida, a pele dela.
De porcelana, a vida
Da boneca sem vida
Vinga inerte, bela.
Sua veste, de renda,
Reveste a arquitetura
Pétrea, plácida, dura,
Estática, estupenda.
A pequena menina,
Artefato da China,
Possui alma mecânica.
Assim ela se cobre
De luz, de metal nobre,
De alegria galvânica.
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Adriano Nunes: "O cérebro"
"O cérebro"
Desço dos assombros sinápticos
Desiludido e deserdado.
Preciso dar-me ao inalcançável,
O meu tédio remediar
Com alguma vasta vontade,
Com alguma pirraça prática,
Escrever um verso e lançar-me
Aos liames do coração,
Debruçar-me sobre as calçadas
Da memória, enquanto a voz sangra,
Entregar-me ao descanso, ao salto
Dos sentidos, ser mais um náufrago
E fundo afundar-me nas montanhas,
No cerne do corpo, e cantar,
Impregnando sóis e os arquétipos,
Por bastar o flerte, a impressão
Da sustentação vertebral,
A medula, a máquina, as tantas
Medusas e Medeias mordazes,
A ideia, sim, a ideia, e mais nada.
Desço dos assombros sinápticos
Desiludido e deserdado.
Preciso dar-me ao inalcançável,
O meu tédio remediar
Com alguma vasta vontade,
Com alguma pirraça prática,
Escrever um verso e lançar-me
Aos liames do coração,
Debruçar-me sobre as calçadas
Da memória, enquanto a voz sangra,
Entregar-me ao descanso, ao salto
Dos sentidos, ser mais um náufrago
E fundo afundar-me nas montanhas,
No cerne do corpo, e cantar,
Impregnando sóis e os arquétipos,
Por bastar o flerte, a impressão
Da sustentação vertebral,
A medula, a máquina, as tantas
Medusas e Medeias mordazes,
A ideia, sim, a ideia, e mais nada.
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sábado, 8 de maio de 2010
Adriano Nunes: "Silêncio. Meu coração vibra" - Para a minha amada mãe
"Silêncio. Meu coração vibra" - Para a minha amada mãe
É manhã. Nunca saberia
Dizer-te plenamente tudo
Com palavras. Assim me iludo,
Tentando-te dar a alegria
Através destes versos e sonho
O momento raro da vida,
Ficção ali... N'água fervida,
O café, sem açúcar, ponho.
Sirvo-te e conversamos em
Silêncio. O meu coração vibra
Ao ver-te, Senhora de fibra,
De garra, de rugas também.
É manhã. Teu dia de festa,
Dia de ser filha, avó, pai,
De largar pratos, prantos... Ai!
É, mamãe, tudo amar nos resta.
É manhã. Nunca saberia
Dizer-te plenamente tudo
Com palavras. Assim me iludo,
Tentando-te dar a alegria
Através destes versos e sonho
O momento raro da vida,
Ficção ali... N'água fervida,
O café, sem açúcar, ponho.
Sirvo-te e conversamos em
Silêncio. O meu coração vibra
Ao ver-te, Senhora de fibra,
De garra, de rugas também.
É manhã. Teu dia de festa,
Dia de ser filha, avó, pai,
De largar pratos, prantos... Ai!
É, mamãe, tudo amar nos resta.
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sexta-feira, 7 de maio de 2010
Adriano Nunes: "Vida-verso" - Para Nydia Bonetti.
"Vida-verso" - Para Nydia Bonetti
Resta o verso.
A lida é
Nada, é tudo.
A lida é
Todo o resto.
Não me iludo.
Resta, o ver-
So. A vida é
Tudo, é nada.
A vida é
O reverso.
Que cilada!
Resta o verso.
A lida é
Nada, é tudo.
A lida é
Todo o resto.
Não me iludo.
Resta, o ver-
So. A vida é
Tudo, é nada.
A vida é
O reverso.
Que cilada!
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quinta-feira, 6 de maio de 2010
Adriano Nunes: "De versos e vez"
"De versos e vez"
Meu coração dis-
Para: a lida fez
De versos e vez.
Silêncios, não quis.
Meu coração dis-
Para: a lida fez
De versos e vez.
Silêncios, não quis.
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terça-feira, 4 de maio de 2010
Adriano Nunes: "Matéria-prima" - Para José Mariano Filho
"Matéria-prima" - Para José Mariano Filho
Procurar o
Momento raro,
Proclamar a
Vida, não para
Dá-la assim a
Datas. Acima
De tudo, vê-la
Brilhar, estrela,
Matéria-prima,
Melhor poema.
Procurar o
Momento raro,
Proclamar a
Vida, não para
Dá-la assim a
Datas. Acima
De tudo, vê-la
Brilhar, estrela,
Matéria-prima,
Melhor poema.
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