terça-feira, 14 de abril de 2015

William Shakespeare: "Sonnet 57" (Tradução de Adriano Nunes)

"Soneto 57" (Tradução de Adriano Nunes)


Servo de ti, farei o que senão
Zelar por se cumprir tua vontade?
Não tenho excelso tempo a ser em vão,
Nem ofício a fazer que não te agrade.

Sequer censuro a hora que é infinda
Ao cuidar,  meu senhor, do tempo teu,
Nem vejo co' amargura a ausência advinda
Quando ao servo teu deste outro adeus.

Nem ouso enciumado questionar
Onde estarás ou quais os teus negócios,
Mas triste servo espero e resta o pensar
Que é feliz quem frui contigo do ócio.

Tão tolo é o amor que no teu querer
Não vê mal algum que possas fazer.



William Shakespeare: "Sonnet 57"


Being your slave what should I do but tend,
Upon the hours, and times of your desire?
I have no precious time at all to spend,
Nor services to do, till you require.

Nor dare I chide the world-without-end hour,
Whilst I, my sovereign, watch the clock for you,
Nor think the bitterness of absence sour
When you have bid your servant once adieu;

Nor dare I question with my jealous thought
Where you may be, or your affairs suppose,
But, like a sad slave, stay and think of nought
Save, where you are, how happy you make those.

So true a fool is love, that in your will,
Though you do anything, he thinks no ill.



SHAKESPEARE, William. The Sonnets and A Lover's Complaint. Edited by John Kerrigan. London: Penguin, 2009, p. 59.


*Com algumas orientações técnicas do poeta e filósofo Antonio Cicero!

Um comentário:

carmen silvia presotto disse...

Lindo demais, gracias por toda Poesia que exalas, por mais um grande poema em nosso idioma.

Beijo,

Carmen