quinta-feira, 5 de março de 2009

Adriano Nunes: "Da poeira" (Um elogio à poeira dos sebos) - Para José Mariano Filho

"Da poeira" (Um elogio à poeira dos sebos) - Para José Mariano Filho


À procura das pérolas perdidas,
Entre poeira, ácaros, acaso,
As minhas esperanças extravaso,
Prateleiras percorro, sem saídas.

Vejo os autores, títulos, assuntos,
Perco-me nesses sítios literários,
Meu coração dispara: breviários,
Dicionários, Bíblias, mundos juntos,

Poemas, textos raros, tanta prosa,
Outro tempo sem volta revirado,
Babel de aprendizado prazerosa,

Em busca de propósito, passado,
Presente, esse porvir, vã nebulosa
De palavras, de brado inesperado.










2 comentários:

Janaina Amado disse...

Adriano, achei este soneto LINDO. Acho que o Mariano vai gostar! Abração.

Rafael Rodriguez disse...

exato!

É tão bom se perder pelos sebos, ficar com a mão repleta de poeira. A impossibilidade de cheirar os livros, um amor passional.