quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Luis de Góngora y Argote: "Vana rosa"

‎"Vana rosa" - Luis de Góngora y Argote



Ayer naciste, y morirás mañana.
¿Para tan breve ser, quién te dió vida?
¿Para vivir tan poco estás lucida,
y para no ser nada estás lozana?

Si te engañó tu hermosura vana,
bien presto la verás desvanecida,
porque en tu hermosura está escondida
la ocasión de morir muerte temprana.

Cuando te corte la robusta mano,
ley de la agricultura permitida,
grosero aliento acabará tu suerte.

No salgas, que te aguarda algún tirano;
dilata tu nacer para tu vida,
que anticipas tu ser para tu muerte.



"Rosa vã" - Luis de Góngora y Argote
(Tradução de Adriano Nunes)


Mal nasceste, e morrerás amanhã.
Para tão breve ser, quem te deu vida?
Para viver tão pouco estás luzida,
e para não ser nada estás louçã?

Se te enganou tua candura vã,
bem depressa a verás desvanecida,
porque em tua candura está escondida
a ocasião de morte temporã.

Quando te corte tal robusta mão,
Norma da agricultura permitida,
grosso alento acabará tua sorte.

Não saias, que te aguarda algum vilão;
retarda teu nascer pra tua vida,
que antecipas teu ser pra tua morte.




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