segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Adriano Nunes: "Sóis de alegria"

"Sóis de alegria"



Estava a mágica
A construir
O nosso mundo.
Pressas, sentenças,
Planos, sentidos,
E, mais adentro,
Mesmo profundo,
Sutil silêncio.

Porém se houvesse
Prático tempo
Pra dar a volta
Bem por cima...
 - E todos querem
Dar uma volta 
Por si e acima -
Que dor não finda?

Jamais dissemos
Do nosso intento.
Claro é o amor.
Riso e rompantes,
Numa avalanche.
Rimas a dois
Para depois,
O que restou

Ao coração,
Estrada afora,
Mera metáfora,
Antiga anáfora,
Leve ilusão
Que se constata
No tudo-nada
Duma palavra.

Essa que falta,
Essa que brilha
Além da vista,
Do olvido amiga,
Incapturável,
Qual astro, alta,
Inatacável,
Por nossos lábios.

O instante intacto
Rasgando a carne
Da eternidade,
Por nós havia.
Versos rasgávamos...
Éramos tanto
O pranto quanto
Sóis de alegria.





5 comentários:

Celso Mendes disse...

muito preciso nas colocações, na formatação, na sonoridade. beleza!!!

Abraço!

betina moraes disse...

adriano,

depois da descrição de tais motivos líricos, que não lhe peçam mesmo o perdão...


belíssimo, belíssimo!


forte abraço, amigo.

Ana Tapadas disse...

De uma musicalidade espantosa!
Beijo

Pouco ou Demais disse...

bem bonito.
aliás, tudo muito musical....

Pouco ou Demais disse...

o perdão alegra mais o coração de quem pede do que a quem se destina.
um alívio do remorso...
e "o remorso me parece uma espécie de olho ruim..."