sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Anne Sexton: "Words"

A pedido do meu amigo Rodrigo Tomé: 


"Words" - Anne Sexton


Be careful of words, 
even the miraculous ones. 
For the miraculous we do our best, 
sometimes they swarm like insects 
and leave not a sting but a kiss. 
They can be as good as fingers. 

They can be as trusty as the rock
you stick your bottom on.
But they can be both daisies and bruises.
Yet I am in love with words.
They are doves falling out of the ceiling.
They are six holy oranges sitting in my lap.
They are the trees, the legs of summer,
and the sun, its passionate face.
Yet often they fail me.
I have so much I want to say,
so many stories, images, proverbs, etc.
But the words aren't good enough,
the wrong ones kiss me.
Sometimes I fly like an eagle
but with the wings of a wren.
But I try to take care
and be gentle to them.
Words and eggs must be handled with care.
Once broken they are impossible
things to repair. 




"Palavras" (tradução de Adriano Nunes)




Cuidado com as palavras,
mesmo as milagrosas.
Com as milagrosas façamos o certo,
às vezes, aglomeram-se como insetos
e não deixam ferroada mas um beijo.
Elas podem ser tão boas quanto os dedos.
Elas podem ser tão confiáveis quanto a rocha
que te serve de assento.
Mas podem ser margaridas e hematomas.
No entanto, estou apaixonada pelas palavras.
São pombas despencando do teto.
São seis divinas laranjas pousadas em meu colo.
São as árvores, as pernas do verão,
e o sol, sua face afeiçoada.
No entanto, falham-me, por demais.
Tenho tanto o que quero dizer,
muitas estórias, imagens, provérbios, etc.
Mas são imprecisas as palavras,
e apenas as inviáveis me beijam.
Às vezes, voo feito uma águia
mas com as asas de um pardal.
Porém tento tomar cuidado
e ser gentil com elas.
Palavras e ovos manuseiam-se com cuidado.
É impossível, se quebrados,
Serem reparados.

Um comentário:

Rodrigo Tomé disse...

Excelente, Adriano! Obrigado por atender ao meu pedido tão prontamente. Segue uma tradução minha:

Young - Anne Sexton

A thousand doors ago
when I was a lonely kid
in a big house with four
garages and it was summer
as long as I could remember,
I lay on the lawn at night,
clover wrinkling over me,
the wise stars bedding over me,
my mother's window a funnel
of yellow heat running out,
my father's window, half shut,
an eye where sleepers pass,
and the boards of the house
were smooth and white as wax
and probably a million leaves
sailed on their strange stalks
as the crickets ticked together
and I, in my brand new body,
which was not a woman's yet,
told the stars my questions
and thought God could really see
the heat and the painted light,
elbows, knees, dreams, goodnight.

***

Jovem (tradução Rodrigo Tomé)

Há milhares de portas atrás
quando eu era apenas uma criança
numa casa enorme com quatro
garagens e o verão enfim chegara
tão longínquo quanto podia me lembrar,
estava eu deitada sobre o gramado à noite,
os trevos acariciando-me,
as sábias estrelas aconchegando-me,
a janela de minha mãe – um exaustor
de incandescência amarela a se esgotar
a janela de meu pai, entreaberta,
um olho por onde atravessam os sonhos,
e o entorno da casa
liso e branco como cera
possivelmente um milhão de folhas
navegaram em seus estranhos caules
dando carona aos grilos
e eu, imbuída de meu novo corpo,
não o corpo de uma mulher ainda,
disse às estrelas as minhas inquietações
e pensava que Deus poderia realmente ver
o ardor e a luminosidade que emanam
cotovelos, joelhos, sonhos, boa-noite.

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Abraço!