sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Adriano Nunes: "o natal"

"o natal"



chega o dia.
tudo e sua pressa de tudo.
o mundo é um
milésimo de segundo...
corre-corre.

praias, pontes aéreas, escadas
rolantes, sacolas plásticas,
discos, livros, emeios, cartas
de contas, acertos de contas
com o passado,
nem pensar!
chega


o dia, tudo é
menos que um
milésimo de segundo.
o mundo? um porto
inoportuno, entre sonhos.


bilhetes
de passagens, presentes,
mil e
duas bagagens, saudade, cinema
mais tarde,
quem sabe?


chega o dia.
mesa posta,
uns sorriem e outros
até gostam da monotonia,
da solidão. chega o dia:
o coração acelera,
a vida em si
vida encerra
e pulsa,


catapulta de sentidos
que por muito tempo ficaram
escondidos,
quase ditos. shoppings, chopes,
chamas
de reencontros, redescobertas,
renascimentos e
ponto final.

chega o dia.
nas maternidades,

as mães montam o mito,
olham para o céu e
contemplam o infinito, secando
cordões umbilicais.
táxis,
ônibus,
aviões,
barcos...

um alvoroço
diante da
possibilidade do dia -
é que tudo parece
depender do dia,
descendente do caos -

demonstra o
quanto o dia
tem no sangue os matizes
familiares do desequílibrio,
dos impulsos primitivos,
da pressa.

adianta-se o dia:
outra luz surge
súbita,
além da língua:

nenhuma palavra é
capaz de abrigá-lo,
de desvendá-lo. os homens
violentamente constróem o presépio,
ponderam as suas
íntimas vidas, surpreendem
o deus menino.






3 comentários:

Vieira Calado disse...

Hoje em dia

é isso o Natal.

E então

saudações natalícias!

alfacinha disse...

lindo
boas festas

Anônimo disse...

lindo!! Vinicius