sábado, 10 de setembro de 2016

Adriano Nunes: "Negócio"

"Negócio"


Teu corpo.
Não sei
Direito
Se era
Oásis
Ou mera
Miragem.
Alarde?
Apenas
Deixei
Agir
O instante -
O elo
Estético
Que a Arte
Reparte
Com quase
Metade
Dos lances
Dos des-
Propósitos:
O amor
Amado
É mesmo
Insólito
Chinês
Negócio.
Que faço?

Adriano Nunes: "Palavra"

"Palavra"


A beira
Do abismo
Não basta.
Metáfora,
Ainda
Não tida,
Guardada
No âmago
Do sol
De algum
Vernáculo
Errático,
Escapa.
Que digo
Do que
Em mim
Perpassa?
Saudade
Da fala,
Do fátuo-
Fermento
Do átimo
De dentro.
Mancada?
Não era
Pra ser
Só máscara.
O fundo
Do poço
É pouco.
O signo
De si
Não salta.
Saliva.
Soluço.
Saída
Pra tudo,
Pra nada.
Palavra.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Adriano Nunes: "Teia"

"Teia"

Tento
Ser
Eu

A
Toda
Hora

Mas
Outros
Tantos

Que
Sou
Forjam-me.

Mesmo
Não

Como
Ser
Este?

Que
Vasta
Sede

De
Ser
Meu

Ser
Sem
Que

Haja
Dele
Cópias!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Adriano Nunes: "O ser que me dói"

"O ser que me dói"

Às vezes, é o in-
Finito de mim
Que esfacela tudo:
Desejo desnudo,
Quimeras, devir.
Depois, embaraço
De sóis em que caço
O ser que me dói.
A dor me constrói.
Pois sobrevivi!
Às vezes, é o in-
Decifrável fim
Do verso que busco,
Ao rabiscar brusco
Do lápis, assim.

domingo, 4 de setembro de 2016

Adriano Nunes: "Quase"

"Quase"


Quatro
Pés,
Quatro
Mãos,

Quatro
Olhos,
Tara e
Chão
Para
Mais
Álea e
Cláusulas.
São
Toques
Tantos,
Táticas.
Pele
Na
Pele,
Carne
Sobre
Carne,
Glândulas,
Ares.
Tramas
De
Átimos.
Gozo
É
Quase
Toda a
Arte.
Tudo
Mesmo
Quanto
Vale?

sábado, 3 de setembro de 2016

Adriano Nunes: "Medusa"

"Medusa"


Já tive muitas dores.
Quando eu era criança,
Eu não sabia o que era dor.
Apenas doía. Doía!
Abriguei várias angústias e medos.
Eu não sabia que ter medos
Era essencial para ser quem sou mesmo.
Quando eu era criança,
A vida era uma dança infinda.
Uma trama de truques e tentativas.
Não havia o mínimo, a forma, a regra.
A beleza violentamente completa.
Dizem que eu era uma menina linda,
Cabelos longos, lábios lânguidos,
Sorrisos que desafiavam o Olimpo,
Olhos penetrantes, petrificantes.
Não tenho saudades da infância
Perdida nos escombros dos sonhos.
Não tenho saudades de nada.
Vez ou outra, uma lágrima
Quer despencar dos báratros do íntimo.
Vez ou outra, grito. E tudo treme.
As serpentes servem-se do ser
Que já não sinto ser para saltarem
Da existência amalgamada.
Restam essas estátuas sem nome.
Armaduras, escudos, espadas,
Estranhos à minha procura.
Pedras. Apenas pedras. Perdas.
Sinto que o mar se agita. É a vida
Enfurecida por mais vida.
Quase manhã.
Quase me atiro desse penhasco sombrio.
As serpentes. Elas sabem
De mim, são confidentes, sempre
Prontas para a batalha.
Favônio parece vir para zombar de
Meus desenganos. Tudo arde
Para que a solidão pese e valha.
Já tive tentações diversas.
Esses arquétipos de vínculos
Que esfacelam o contato e
O flerte rápido restam.
O horror se agrega a meus nervos.
Tudo se dá como armadilha.
É quase manhã.
Ah, essas estátuas sem nome!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Adriano Nunes: "Dos sóis do metro"

"Dos sóis do metro"

Aquele aperto
No cerne de
Tudo, que fere
Este portento -
E fere mesmo
Muito! - que quer
Dos meus anseios,
Que quer do que
Eu penso ser?

Talvez Euterpe
Não desconverse
Nem por um breve
Momento, certa
De que não deve
Ser outro medo
Dos sóis do metro,
Do ritmo elétrico
Do astuto Eros,

Que me faz ter-
Minar o verso.