quinta-feira, 19 de junho de 2014

Adriano Nunes: "Só"

"Só"


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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Adriano Nunes: "Que envolve o que escrevo"

"Que envolve o que escrevo"



Pronto. Chegaremos
A um acordo, creio 
Eu. Dar-te-ei o meu
Coração pequeno, 
Sem qualquer receio,

Com intacto selo
De ingênuo ser mesmo,
Um coração bem
Prestes a ser pétala
Atirada além

Da calçada, alerta
A atiçar desejos
Estéticos, sério.
Perfeito. Tomemos
Logo a dianteira,

E as cartas à mesa
Ponhamos. Que resta
Do olhar que nos preza,
Numa hora dessas?
Que ao espelho interessa?

Proezas? São sete
Horas e sequer
Dilacero o tédio
Que envolve o que escrevo.
Tanto amor que quer?

terça-feira, 17 de junho de 2014

Adriano Nunes: "Só o tempo a passar"

"Só o tempo a passar"



Pode machucar o meu coração, 
Dilacerá-lo, triturá-lo,
Pedaço por pedaço. 
O amor, bem sei, quando vem
Não é em vão, 
Pode até ser mesmo
O contrário do que é esperado, 
O amor é mágico, 
O amor é trágico,
É fato. Só o tempo a passar
É tão comportado.

Pode maltratar o meu peito então.
Os dragões da insegurança
Foram-se. Os medos
Do além-amar já
Não me alcançam.
Fragmento por fragmento,
Batida por batida,
O meu coração está disposto
A provar do gosto
Da desilusão incontida,
Pode soltar a sua gargalhada

De conquista e império.
Servo dos meus desejos,
Aceito, contente, o que quero.
Parte por parte,
Ritmo por ritmo,
Do nervo à carne que arde,
O meu coração
O impacto acata,
Não se importa mais com nada.
Pode alardear sua vitória,
Obter seus louros agora.

Fibra por fibra,
Frequência por frequência,
Contra toda a expectativa,
Meu coração se dá
Por dominado.
Que interessa o desabrochar
Das rosas, o sonhar a pino,
Outra tentação surgindo,
A flauta de Pã,
O amanhã,
A lira de Erato?




sexta-feira, 13 de junho de 2014

Adriano Nunes: "E ver que a vida avança"

"E ver que a vida avança"



Pra pôr à prova o peito,
Pancada por pancada,
Proponho a ti, amada
Paciência, o que feito
Tenho para, do nada,
Obter o par perfeito. 

Que importa algum defeito
Se a afeição reformada
Pode até ser? Prazer
É ter o que me alcança
Muito além da lembrança,
Uns versos a fazer

Pra não me desfazer,
E ver que a vida avança.

sábado, 7 de junho de 2014

Adriano Nunes: "O que co' amor escrevo agora" - Para a minha mãe

"O que co' amor escrevo agora" - Para a minha mãe



Aconchega-se o dia em mim.
Tudo é saber-te, ó mãe, manhã. 
E sinto-te. E canto-te em lírica
Alegria, pra eternizar-te
Em meu âmago, em minha arte.
Mas a arte da qual se vale
O meu coração não se finca
No que se pretende só ser.
Procuro, apressado, um jardim
Florido. Não há. Não desisto.
E transformo, em folhas e pétalas,
Cada palavra que me atesta,
O bailar do lápis, e em rosas,
O que co' amor escrevo agora.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Adriano Nunes: "A dinâmica perfeita"

"A dinâmica perfeita" 



Quando se finca
No ato a cabeça, 
O desejo quer mais
E mais e mais ainda,
O gosto,
O suor,
O olhar que já
Não é mais só, 
A desesperada hora,
O corpo todo,
Os gemidos,
Os sussurros fortuitos,
Os ais,
A dinâmica perfeita
Do gozo, 
O jorro,
A metáfora
Que aflora. 

Pois bem:
Debruçado no catre,
O poeta tece a
Sua arte,
Entregue ao lápis
E à folha virgem,
Segue, além,
Do que se sabe,
Íntimo, 
Convulso, 
Contente, 
Dado a regras e impulsos,
Finge que finge,
E penetra fundo
Na linguagem -
Quântica viagem -
Para engendrar - quem o sente? -
Mundos múltiplos.




terça-feira, 3 de junho de 2014

Adriano Nunes: "Entre as dores que me atestam"

"Entre as dores que me atestam"



É preciso estar desperto
Para o tempo
Ilhado do alheamento.
Que perigo ronda, perto,
O que quero!
Só um verso! Só um verso!
Entre as dores que me atestam
Ser quem sou, apenas esta
Em mim pede
Ao que lhe
Mais interessa
Para ser (ou pra ser breve?)
Quem a escreve.
É preciso estar atento
Para o que
Vinga adentro.
Eis a regra: ser poeta!
Que perigo sonda, vejo,
O desejo:
Só um verso (será um beijo?)
Contra o tédio!