quinta-feira, 9 de outubro de 2008

WALY SALOMÃO - "Exterior"

EXTERIOR (WALY SALOMÃO)








POR QUE A POESIA TEM QUE SE CONFINAR
ÀS PAREDES DE DENTRO DA VULVA DO POEMA?
POR QUE PROIBIR À POESIA
ESTOURAR OS LIMITES DO GRELO
DA GRETA
DA GRUTA
E SE ESPRAIAR EM PLENO GRUDE
ALÉM DA GRADE
DO SOL NASCIDO QUADRADO?


POR QUE A POESIA TEM QUE SE SUSTENTAR
DE PÉ, CARTESIANA MILÍCIA ENFILEIRADA,
OBEDIENTE FILHA DA PAUTA?


POR QUE A POESIA NÃO PODE FICAR DE QUATRO
E SE AGACHAR E SE ESGUEIRAR
PARA GOZAR
- CARPE DIEM -
FORA DA ZONA DA PÁGINA?


POR QUE A POESIA DE RABO PRESO
SEM PODER SE OPERAR
E, OPERADA,
POLIMÓRFICA E PERVERSA,
NÃO PODER TRAVESTIR-SE
COM OS CLITÓRIS E OS BALANGANDÃS DA LIRA?









De: SALOMÃO, Waly. "Exterior". In: Lábia. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

2 comentários:

Pouco ou Demais disse...

lindo, lindo, lindo.
melhor ainda declamado por antônio cícero em pan cinema permanente. grandes poetas! lembrei disto. veja que bom...
http://poucooudemais.blogspot.com/2010/02/paulo-leminski_14.html#comments

Anônimo disse...

Olá, vc poderia enviar para o meu e-mail tudo que vc sabe sobre o poeta waly salomão? vi seu blog e achei interessante, estou fazendo uma tese sobre ele na faculdade, e é um pouco complicado de encontrar algo sobre. Por favor segue meu e-mail, o que vc souber envie, se puder: liginhamalukinha@hotmail.com

fico no aguardo, de antemão ja agradeço.